sexta-feira, 14 de abril de 2017
FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
SEXTA-FEIRA SANTA
As trevas caíram sobre a tarde meu amor
ensopados pelo sangue dos espinhos
os meus olhos procuram sobre os montes
o perfil parado dos pinhais
dobrada sobre a terra
tu eras a torrente dos nossos serenos dias
estavas como uma rola abatida e eu cuspia ao ar
o vinagre e o fel que tu bebias
secaste as lágrimas no véu que ocultava a vergonha
do meu corpo
seguiste com o olhar o grito
e o eco do meu grito
a terra tremeu debaixo dos teus pés e fixaste
nos meus olhos empedrados
a noite que já mais uniria os nossos gestos.
Poema de FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
Livro - ANDAMENTO
quinta-feira, 13 de abril de 2017
Depois do AMOR
ESPERANÇA
Tempo sombrio,
cruéis lágrimas,
noites agitadas,
delirantes,
coração partido
em mágoas.
Talvez repouse
sobre as águas do mar,
a ferida a cicatrizar.
Deuses,
tenham piedade,
desçam do Céu,
não haja mais lágrimas
para derramar!
Livro - Depois do AMOR
Manuela Morais
terça-feira, 11 de abril de 2017
Depois do AMOR
A DOR
Jesus disse:
"Bem aventurados sois vós que chorais,
haveis de rir."
A essência da vida
é o amor.
Então,
por que é insuportável
sofrer,
aguentar
tanta dor?!
Livro - Depois do AMOR
Manuela Morais
sábado, 8 de abril de 2017
quinta-feira, 6 de abril de 2017
terça-feira, 4 de abril de 2017
Pensamento
"A paciência é a mais heróica das virtudes, justamente por não ter nenhuma aparência de heroísmo."
Giacomo Leopardi
segunda-feira, 3 de abril de 2017
sábado, 1 de abril de 2017
quinta-feira, 30 de março de 2017
terça-feira, 28 de março de 2017
segunda-feira, 27 de março de 2017
ESPIGA Pinto
José Manuel ESPIGA Pinto
Vila Viçosa - 16 - 03 - 1940
Porto - 01 - 10 - 2014
Espiga Pinto e Manuela Morais, sua mulher (de Março de 2000 a 1 de Outubro de 2014)
domingo, 26 de março de 2017
sábado, 25 de março de 2017
sexta-feira, 24 de março de 2017
quinta-feira, 23 de março de 2017
PAZ, PAZ, PAZ. . .
OMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMM
por Londres, pelo Universo inteiro.
Não há guerras santas. As guerras são sempre malditas,
destrutivas, diabólicas. . .
Vivamos o tempo do amor, o tempo da fraternidade, o
tempo do respeito pelo próximo.
terça-feira, 21 de março de 2017
segunda-feira, 20 de março de 2017
PRIMAVERA
Quando Vier a Primavera
Quando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.
Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma
Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.
Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.
Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.
Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma
Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.
Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.
Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"
Heterónimo de Fernando Pessoa
domingo, 19 de março de 2017
Ao meu PAI
Não Digas Nada!
Não digas nada!
Nem mesmo a verdade
Há tanta suavidade em nada se dizer
E tudo se entender —
Tudo metade
De sentir e de ver...
Não digas nada
Deixa esquecer
Talvez que amanhã
Em outra paisagem
Digas que foi vã
Toda essa viagem
Até onde quis
Ser quem me agrada...
Mas ali fui feliz
Não digas nada.
Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"
Nem mesmo a verdade
Há tanta suavidade em nada se dizer
E tudo se entender —
Tudo metade
De sentir e de ver...
Não digas nada
Deixa esquecer
Talvez que amanhã
Em outra paisagem
Digas que foi vã
Toda essa viagem
Até onde quis
Ser quem me agrada...
Mas ali fui feliz
Não digas nada.
Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"
sexta-feira, 17 de março de 2017
quinta-feira, 16 de março de 2017
Aniversário de ESPIGA Pinto
José Manuel ESPIGA Pinto
Vila Viçosa - 16 - 03 - 1940
Porto - 01 - 10 - 2014
Texto publicado no Catálogo da Exposição de Pintura e Escultura - Memórias de Inês, de Espiga Pinto, em Julho de 2001.
Espiga e Inês de Castro
Ainda era menino quando chegou à pintura. Homem determinado e invulgar, pinta como quem beija. Entrega-se total e perdidamente.
Do Alentejo, onde nasceu, revelador de uma intuição e sensibilidade apuradíssimas, vem afirmando a solidez e singularidade de um percurso que começa e termina na busca e apreensão dos possíveis sentidos da existência.
Memórias de Inês é uma belíssima temática que fixa as trágicas vicissitudes de uma das mais belas e comoventes histórias de amor da Idade Média, aqui contada (cantada) por este ilustre Pintor com rigorosa fidelidade à sua memória e grandeza, dando-nos, assim, a exacta dimensão cultural e humana da histórico-lendária personagem. Seguramente que estas peças vão suscitar ou sublinhar pontos de reflexão sobre a especificidade do tema.
O amor, símbolo de continuidade e regeneração, adquire nesta sequência pictórica o seu verdadeiro significado, ou não fosse ele o mais profundo e distintivo elan da humanidade. Aqui, se sente a sua pulsação, em perpétuo movimento regenerador e em variações cromáticas sintonizadas, numa articulação harmoniosa e contínua entre a Terra e o Universo.
O tempo reflecte-se na obra de Espiga, sobretudo na medida em que resiste ao seu poder envolvente, em que lhe opõe uma linguagem pictórica deslumbrante e corajosamente assumida. A memória revela-se essencial para a lenta penetração no imaginário de deuses e anjos. . .
Inês personifica a heroína trágica de um dos mais célebres episódios amorosos do Ocidente, se não de toda a história da humanidade, sobrelevando em paixão, fatalidade e dramaticidade outros casos similares, como os de Abelardo e Heloísa ou Dante e Beatriz. A pele de Inês é de uma perfumada e acetinada suavidade. Espiga decora a cor de seus olhos; contorna, sem ruído, a doçura de seu corpo.
Falamos dos períodos claros, iluminados. Mas falamos também dos períodos ocultos dessa mesma juventude, de certas dissimulações operadas sobre certos factos, certos sentimentos. Tudo é arrastado pela tempestade profunda e vertiginosa da corrente interior; tudo fica suspenso à superfície, qual força impetuosa de um rio.
Estamos perante mais uma obra-prima de um dos mais geniais (não tenhamos medo das palavras) mestres da pintura portuguesa contemporânea. A espantosa força lírica e formal da sua pintura exponencia um potencial absoluto de ritmo, cor, rigor, encantamento; de atractivo e fascínio.
A pintura é para ser fruída; para partilhar a criatividade, esse genesíaco exercício de interioridade, tendo por instrumentos as fibras da sensibilidade e a espora mágica da memória. Instrumentos que, pela mão predestinada do artista, reanimam a figura grácil e desventurada daquela que, no dizer do poeta, depois de morta foi rainha.
Espiga fascina-nos com toda esta sublime grandeza: o mito, a obsessão de Inês nos sonhos de Pedro, o brasão, o ambiente gótico e a chave. A chave de toda esta maravilha move-se na rigorosa e complexa teia geométrica do Pintor.
Manuela Morais
in Três Rios Abraçam o Coração
segunda-feira, 13 de março de 2017
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