É um poema de amor o
poema da nossa despedida é
um poema de dor do
fim de uma aventura acontecida
por ti lutei a luta dos amantes que
não sabem perder e
agora conto os instantes que
restam para te dizer que
sem voltar não
poderei morrer e
aparto assim do teu o meu olhar
que flor na minha ausência
deixará de nascer na primavera e
que pássaro vindo da distância com
esta mesma ânsia se
mudará em pedra à minha espera.
Poema de FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
Livro - MEMÓRIA IMPERFEITA
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
terça-feira, 7 de agosto de 2012
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
terça-feira, 24 de julho de 2012
sexta-feira, 20 de julho de 2012
terça-feira, 17 de julho de 2012
segunda-feira, 16 de julho de 2012
segunda-feira, 9 de julho de 2012
JOSÉ RODRIGUES DOS SANTOS
"Os insultos dizem muito pouco sobre quem é insultado,
mas dizem muito sobre quem insulta".
José Rodrigues dos Santos
sábado, 30 de junho de 2012
FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
Um dia saberemos meu amor quando
os elos do tempo já quebrados
como nas linhas das mãos os nossos dias
eram fios cruzados
águas desiguais no mesmo leito
de um rio
a mesma cor as unia
e um barco que nunca partiu
ancorado no meio
as dividia
um dia saberemos meu amor que
nestas palavras escritas
se muda para sempre a
minha boca
das que nunca foram ditas.
os elos do tempo já quebrados
como nas linhas das mãos os nossos dias
eram fios cruzados
águas desiguais no mesmo leito
de um rio
a mesma cor as unia
e um barco que nunca partiu
ancorado no meio
as dividia
um dia saberemos meu amor que
nestas palavras escritas
se muda para sempre a
minha boca
das que nunca foram ditas.
Poema de FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
Livro - MEMÓRIA IMPERFEITA
sexta-feira, 29 de junho de 2012
segunda-feira, 25 de junho de 2012
FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
O FIM DAS PALAVRAS
Foi num dia concreto como grãos de trigo que
tu chegaste ao fim das palavras e
partiste
eu era os rochedos em que as ondas vinham desfazer-se
tu o barco que navegava na planície azul
alguém havia um dia de dizer como
dois seres inventam o silêncio e o habitam nesse
preciso lugar onde as palavras nada significam e
é inútil falar de amor ou de amargura
nem adeus nos dissemos de nada valeria
no cais de qualquer vida se desprendem os
sentimentos de seus nomes
anónimos e livres seguimos cada
qual por seu caminho até as próprias pedras
palpitavam de medo e de suspeita
alguém havia um dia de dizer como
dois seres se introduzem na pura solidão
cercados de vazias palavras arbitrárias e do
bater pontual do coração.
FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
Livro - MEMÓRIA IMPERFEITA
domingo, 24 de junho de 2012
sexta-feira, 22 de junho de 2012
quarta-feira, 20 de junho de 2012
TRÊS RIOS ABRAÇAM O CORAÇÃO
CAMILO GRAVADO A OURO
(. . .)
Camilo Castelo Branco viveu 65 anos e legou-nos muitas dezenas de livros.
Criador invulgar, viveu, meditou, amou e escreveu com uma intensidade desmedida. Haverá destino mais deslumbrante do que o deste homem de excepção, influenciado pela experiência da sua existência, legando-nos uma Obra fascinante com uma dimensão profundamente encantatória?
Nasceu a 16 de Março de 1825, em Lisboa. Imaginativo e intuitivo com uma natureza sensível, volúvel e instável. (. . .)
Vila Real, em Trás-os-Montes, recebe esta criança predestinada e precoce, contava então 10 anos de idade, ficando aos cuidados de uma tia. Aí, na Região Demarcada do Douro, sendo a mais antiga região vitícola demarcada e regulamentada do mundo, o jovem andarilho cresce, estuda e escreve. (. . .) Seguidamente, passa a viver em casa de sua irmã mais velha, em Vilarinho de Samardã. Aqui a natureza é deslumbrante e austera, propiciando a este observador exímio a sua excepcional e invulgar capacidade de transferir para o papel o seu interesse precocemente manifestado, repleto de imaginação e pormenor, sem perder o essencial, dando-lhe uma dimensão inesperada, inexplicável, mágica e misteriosa.
Mais tarde, vai para casa de outro parente, em Friúme, em Ribeira de Pena.
Continua aí os seus estudos, a sua escrita e os seus amores. (. . .)
A Vida e a Obra de Camilo têm uma dimensão inumerável. Como explicar a origem e significado dos sentimentos, equilíbrios e contradições, desobedecendo à lógica esclarecedora, ao princípio da diferenciação? (. . .)
São Miguel de Seide foi o seu último destino. Viveu aí vários anos e no dia 1 de Junho de 1890 suicidou-se com um tiro certeiro.
A sua cadeira de baloiço continua lá, imóvel, a atestar a eternidade deste gigante das nossas letras.
MANUELA MORAIS
Livro - TRÊS RIOS ABRAÇAM O CORAÇÃO
Capa - ESPIGA PINTO
quinta-feira, 14 de junho de 2012
TRÊS RIOS ABRAÇAM O CORAÇÃO
ESPIGA E INÊS DE CASTRO
Ainda era menino quando chegou à pintura. Homem determinado e invulgar, pinta como quem beija. Entrega-se total e perdidamente.
Do Alentejo, onde nasceu, revelador de uma intuição e sensibilidade apuradíssimas, vem afirmando a solidez e singularidade de um percurso que começa e termina na busca e apreensão dos possíveis sentidos da existência.
Memórias de Inês é uma belíssima temática que fixa as trágicas vicissitudes de uma das mais belas e comoventes histórias de amor da Idade Média, aqui contada (cantada) por este ilustre Pintor com rigorosa fidelidade à sua memória e grandeza, dando-nos, assim, a exacta dimensão cultural e humana da histórica-lendária personagem. (. . .)
O amor, símbolo de continuidade e regeneração, adquire nesta sequência pictórica o seu verdadeiro significado, ou não fosse ele o mais profundo e distintivo elan da humanidade. Aqui, se sente a sua pulsação, em perpétuo movimento regenerador e em variações cromáticas sintonizadas, numa articulação harmoniosa e contínua entre a Terra e o Universo. (. . .)
Estamos perante mais uma obra-prima de um dos mais geniais (não tenhamos medo das palavras) Mestres da pintura portuguesa contemporânea. A espantosa força lírica e formal da sua pintura exponencia um potencial absoluto de ritmo, cor, rigor, encantamento; de atractivo e fascínio.
A pintura é para ser fruída, para partilhar a criatividade, esse genesíaco exercício de interioridade, tendo por instrumentos as fibras da sensibilidade e a espora mágica da memória, instrumentos que, pela mão presdestinada do artista, reanimam a figura grácil e desventurada daquela que, no dizer do poeta, depois de morta foi rainha.
Espiga fascina-nos com toda esta sublime grandeza: o mito, a obsessão de Inês nos sonhos de Pedro, o brazão, o ambiente gótico e a chave. A chave de toda esta maravilha move-se na rigorosa e complexa teia geométrica do Pintor.
MANUELA MORAIS
Livro - TRÊS RIOS ABRAÇAM O CORAÇÃO
Capa de ESPIGA PINTO
quarta-feira, 13 de junho de 2012
quinta-feira, 7 de junho de 2012
segunda-feira, 28 de maio de 2012
A TARTARUGA SONHADORA
DOURO
O Douro é ainda o Paraíso mágico que nos maravilha os olhos, fascina a alma e revigora o coração. É a porta de encantamento para uma realidade geográfica incontornável, determinante e envolvente. O Rio Douro serpenteia através das rochas e, dos dois lados em socalcos, erguem-se altas margens de montanhas adornadas de vinhas. Tem uma paisagem verdadeiramente excepcional.
Os pequenos vales estão invadidos por oliveiras, amendoeiras e árvores de fruto.
O Douro é, sem dúvida, de uma beleza e grandiosidade únicas. Será, com certeza, o recanto mais sublime da nossa Pátria. Aqui produz-se o célebre e delicioso Vinho do Porto, perpetuando um Património ímpar: de sabor, odor e cor excepcionais. É a mais antiga Região Demarcada do Mundo, com vista panorâmica esplêndida, pela sua imponente situação privilegiada de "tecto de Portugal".
Uma verdadeira viagem no tempo mantém intacta a sacralidade e a ritualidade destas encostas deslumbrantes.
É quase impossível não ter a sensação desmedida de Lugar Celestial; belíssimas montanhas atapetadas de videiras constituem o portal de entrada para outra dimensão. A nossa imaginação dispara, consciência ou estado de Ser; parece explorar e descodificar a mensagem murmurada pelos campos, procurando estabelecer contacto com o encantamento, comungando do seu verdadeiro significado.
O Douro é Sol e Lua, amor, beleza, riqueza, sabedoria, esperança e futuro. . .
Aqui estará, sem dúvida, a projecção do Céu sobre a Terra, a imagem perfeita da correspondência entre o microcosmos e o macrocosmos, lugar consagrado e indispensável para a contemplação e "plenitude de graça" que fortalece e revigora a esperança.
MANUELA MORAIS
Livro - A TARTARUGA SONHADORA
quinta-feira, 24 de maio de 2012
A TARTARUGA SONHADORA
AS MONTANHAS SÃO SAGRADAS
A Serra do Marão ergue-se dominante, o Céu repousa nas cristas das montanhas e, assim, os Deuses comunicam com os Seres da Terra.
Devemos subir às montanhas e respeitá-las, buscar o Conhecimento Universal e iniciar, nas colinas, a comunicação privilegiada com o Divino.
As enormes rochas arredondadas atestam a antiguidade e a sua imponência impressiona. O panorama é grandioso: é fascinante apreciar a paisagem sem dimensão, monumental! Maravilha permanentemente! Contemplamos, sem cessar, a majestade deste cenário. Aqui, penhascos graníticos, urzes, pinheiros, rosmaninho, giestas, esteva e animais aprendem os segredos de ler a posição das Estrelas e da Lua. O destino poderoso e misterioso destes rochedos causa deslumbramento e surpreende sem limites.
No horizonte, as imensas montanhas de granito podem estar cobertas de neve ou, dependendo da Estação, podem deixar-nos surpreendidos pela riqueza do colorido. Grandes tufos de flores brancas, amarelas e lilases agarram-se às rochas e desvendam segredos. Assim, estes verdadeiros altares de pedra mostram a sua paisagem imortal e gloriosa, apaziguando o nosso "Ser eternamente". É impossível não comungar com as montanhas, pois o cântico suave e meditativo é claramente recebido, revelado e entendido pela nossa Alma.
As montanhas são a personificação do espírito da Natureza, o pulsar vivo da própria Vida, de ressurreição e de iluminação.
A Serra do Marão é sobejamente conhecida. Aqui, viajamos com os olhos abertos e o espírito livre, tentando encontrar o caminho interior que nos mostre a realidade e faça compreender a perfeição da Tradição Primordial.
MANUELA MORAIS
Livro - A TARTARUGA SONHADORA
segunda-feira, 21 de maio de 2012
MODO DE VIDA
LUAR DE AGOSTO
- Enxota-me essas moscas, porra.
Floriano vinha azedo. Quando soube que o adubo ia subir dali a três dias, meteu-se no camião, foi carregá-lo a Chaves e deixou a arranca das batatas entregue à mulher.
Marília veio cobrir a melancia com uma rodilha.
- Vieste bem tarde.
- E antes não fosse.
- Não trazes o adubo?
- Cem cães a um osso. Trouxe areia para não perder o carreto.
- Hoje é só amoladelas, disse Marília.
- Que houve?, quis saber Floriano.
- Olha, o Silvano e o Malhão. Cheios de vinho. Pegaram-se. Foi uma arrelia tão grande que ainda vai dar uma desgraça.
- O Malhão e as brincadeiras do costume, estou mesmo a ver, disse Floriano. Marília pegou-lhe na palavra.
- Primeiro, começou por desfazer no serviço do Silvano. És um palhinhas que nem enterras os ganchos da enxada, não aguentas meia canada que ficas logo com braços de arame, envergonhas a mulher e não sustentas os filhos, nem para uma barra de sabão forras, que lá em casa anda tudo com remelas nos olhos e côdeas no nariz. (. . .)
FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
Livro - MODO DE VIDA
sexta-feira, 18 de maio de 2012
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