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sábado, 24 de agosto de 2024
PARABÉNS UCRÂNIA! SÃO 33 ANOS DE LIBERDADE, SOBERANIA, INDEPENDÊNCIA, DEMOCRACIA, E, AGORA, EUROPEIA...
quinta-feira, 8 de agosto de 2024
BELÍSSIMO texto crítico da Dra JÚLIA REIS SERRA
Poesia de António Cabral em Diálogo com Fotografia de João B. Cabral e João P. Cabral
Diálogo Interartístico
O novo livro Poesia de António Cabral em Diálogo com Fotografia de João B. Cabral e
João P. Cabral é um verdadeiro álbum de memórias poéticas que, dialogando com as imagens,
traçam uma ponte entre o passado – presente projetando a intemporalidade da arte.
Formalmente, o livro apresenta-se com um formato de um álbum, pois aposta na
extensão da horizontalidade em contraponto com a vulgar verticalidade. A textura da capa e
do próprio papel interior, adequado à fotografia, reforçam a imagem de um livro para sempre,
uma relíquia sobre a Região do Douro. A nível da estrutura, a obra prima pela organização e
adequação das fotografias aos poemas – pode dizer-se que é uma sinfonia a duas vozes – e,
nesta confluência interartística, subjaz a voz e a faina estrénue de um povo que labuta pela
dignificação do seu cadinho natal. Na Nota Introdutória, Alzira Cabral realça: “A paisagem
construída pelas «Mãos ossudas e calosas» da gente duriense deixa-nos em êxtase…” e
acrescenta “uma vida árdua a que o poeta duriense não foi insensível, dando voz àqueles que
a não têm – Os lavradores assobiam para dentro/e os mais necessitados/engolem os projectos
com a saliva.”
É um livro cheio de poemas, extraídos das várias obras do poeta António Cabral
–primorosamente assinalados no Índice – que percorrem os lugares, os trabalhos do campo, a
dedicação dos trabalhadores, a paisagem com fragas e vinhedos, os santos da devoção, os
pássaros que dulcificam o ambiente, o tempo que varia e os trovões assustadores, a história e
geografia da região … ao longe, o infinito. São poemas, alguns uma espécie de conto ou lenda,
outros cheios de sensibilidade, ultrapassando a dimensão humana: “Perdem-se os olhos na
amplidão restrita/ Do tronco nu dum eucalipto esguio/ Que deixa de ser ele/Uma porção do
fio. (p.7) Se aqui é nomeado o eucalipto, muitas outras árvores completam este alfobre
poético: oliveira, videira (vinha), amendoeira, laranjeira, pessegueiro, nespereira e associadas
a estas árvores há o cheiro a rosmaninho e a esteva e os pássaros (o melro e a águia) a
engalanar o ambiente paradisíaco da região.
O verão é o tempo do trabalho, mas as outras estações do ano e os meses são
também evocados, sobretudo, o tempo da neve, das nuvens negras e do nevoeiro; a lua, essa,
pode ser um augúrio da maldade: “Hoje, repugnas-me, lua. / Repugnas-me porque és/uma
impassível testemunha das nossas misérias e maldades.” (p.29) Apesar de tudo, o sujeito
poético acha que a gente da aldeia dorme e, talvez, sonhe… tal como os barcos rabelos
serpenteiam nas águas do Douro, levando o néctar para os turistas, ou então, entrando no
coração do Douro com os novos viajantes do mundo… lembrando o poema S. Leonardo de
Miguel Torga. E esta alusão ao santo, desfia muitos outros santos devotos que o poeta António
Cabral evocou nos seus versos: Senhora da Piedade, Senhora dos Remédios, Senhora do
Socorro, Santa Marinha, em Castelo do Douro, S. Salvador do Mundo, S. João, Senhora da
Saúde, entre outros nomes associados à Fé e às Romarias.
Não esquecendo a cartografia da região, o poeta nomeou: Sanfins do Douro, Pinhão, a
Ponte sobre o Rio Tua, Lamego, Resende, Marão, Vinhais, Provezende, Murça, Régua,
Penaguião, Penajóia, Saudel: “ Na Senhora da Saúde/que se venera em Saudel/os crentes são
como abelhas/e ela um favo de mel(p.72), “Ermamar”, Miranda, Freixo de Espada à Cinta,
Meda, Vilariça, Tabuaço, Alfândega da Fé – “Em terras de tanta seda/ teu falar de seda é:/ o
passado continua/em Alfândega da Fé”(p73) – Alijó e muitos outros lugares e quintas constam
nesta mapeação duriense e transmontana que chega à linha castelhana. Como exemplo de
casas, lugares, quintas ou solares, regista-se: Casa do Douro, Quinta da Batoca, com a alusão a
Guerra Junqueiro: “Só na Quinta da Batoca/Junqueiro entendeu a voz/d’Os Simples, aves que
voam/ ao longe, dentro de nós.” (p.81); o lugar do Tedo e a Quinta do Roncão. Há igualmente
referências a personagens típicas da região e da história: Marquesa de Távora, Ferreirinha,
Graça Morais, Araújo Correia, Conde de Saldanha, entre outras.
São muitos os poemas, os sonhos, os trabalhos e as histórias, que constituem esta
antologia poética, extraídos da obra ingente de António Cabral. As palavras, aqui, projetam-se,
não ficam sufocadas, e os seus ecos originam imagens que ganham força para interagir e
dialogar. Não são imagens estáticas, apesar de sombrias, mas a preto e branco ou
acinzentadas e brancas, assumindo uma espécie de tonalidade monocromática. Acresce referir
que a ausência de colorido não é apenas sinónimo de tristeza ou monotonia, pode
corresponder à técnica, à interpretação e ao objetivo do(s) fotógrafo(s), tornando, assim, as
imagens mais expressivas e motivadoras para atrair o leitor. Pode considerar-se que a não
existência de colorido concentra mais poder através do jogo de branco /escuro favorecendo a
personificação dos espaços estratificados e atribuindo sensações de pureza e deslumbramento
aos elementos líquidos (rio, riacho) que ladeiam os socalcos ou ao desnível existente entre a
montanha e a correnteza da água – caso de S. Leonardo de Galafura e o rio Douro.
A cor cinza é um elemento estabilizador apropriado à memória e à intencionalidade
desta obra – evocação das memórias de um prócere escritor transmontano - duriense que
ficou na História da Literatura Portuguesa. Parabéns aos Fotógrafos J. B. Cabral e J.P. Cabral
pela leitura e comunicação exímias que estabeleceram com as palavras!
Uma obra para ser lida e apreciada, por todos aqueles que gostam de poesia, de
fotografia e da Arte em geral.
Este “diálogo” memorial e visível transforma o leitor num intérprete do tempo e da
Natureza.
Júlia Serra
sexta-feira, 12 de julho de 2024
quinta-feira, 11 de julho de 2024
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domingo, 7 de julho de 2024
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sexta-feira, 28 de junho de 2024
quinta-feira, 27 de junho de 2024
quarta-feira, 26 de junho de 2024
domingo, 23 de junho de 2024
O SÃO JOÃO, de MANUELA MORAIS - Pintura da Capa de ESPIGA Pinto
O SÃO JOÃO
É o Santo
da minha devoção,
dedicação,
festa
das minhas festas,
aroma
das sardinhas assadas,
manjerico perfumado,
sandálias cansadas
de tanto bailar,
rodopiar...
Música
em todas as ruas, praças,
alegria, cânticos, folia,
saltar a fogueira,
foguetes, balões,
farturas
para ter força,
caminhar
para casa,
descansar...
Manuela Morais
Canto o Amor, página 31














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