sábado, 29 de agosto de 2015

ANTÓNIO FORTUNA







SONATA AO DOURO
ANTÓNIO FORTUNA

PRÉMIO NACIONAL DE POESIA
FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
















sábado, 22 de agosto de 2015

GUIDA NUNES




(. . .)
A sua aparência não faria prever um garanhão assim tão valente. Tinha metro e meio de altura, boca desdentada, mal vestido e arranjado e usava uma ridícula peruca, coisa rara nos lados transmontanos de Portugal. Todas as pessoas  da freguesia sabiam da existência do filho de Maria, perfilhado pelo pai. Mas o motivo da discussão parece ter sido o boato, mais tarde confirmado, do casamento de Norberto e Maria na América, onde costumavam passar temporadas.
A advogada via uma trama engraçada, mas sem grande consistência jurídica. A queixa de Joaquina contra Maria era pelo facto desta lhe ter dado com uma ripa na cabeça, causando-lhe equimoses e ainda lhe ter danificado umas argolas, o que pressupunha luta corporal entre ambas. (. . .)


GUIDA NUNES
(IN)JUSTIÇAS







sábado, 15 de agosto de 2015

CLÁUDIO LIMA







A FOZ DAS PALAVRAS
CLÁUDIO LIMA

PRÉMIO NACIONAL DE POESIA
FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES







terça-feira, 4 de agosto de 2015

GUIDA NUNES




(. . .)
Bernardo cresceu no Alentejo, mas, estudante em Coimbra, conheceu a namorada, futura médica. Escolheram viver na terra dela, uma pequena vila não muito distante daquela cidade de estudantes. Estranhou um pouco o modo de pensar dos seus clientes, mas foi vencendo obstáculos. O caso de Celeste, um dos primeiros da sua carreira de próspero advogado, foi uma das lições.
A jovem senhora pediu os seus serviços para um banal caso de ofensas corporais:
- Estava na minha casa com o meu filho mais novo, de oito anos, e apareceram as duas e malharam em mim e no rapaz.
- Então ninguém viu. . .
- Viu, senhor doutor, uma vizinha, mais velha e que está sempre em casa e também uma prima do meu marido.
- E ela também vive lá?
Não, vivia numa aldeia vizinha, mas para sorte da agredida, estava lá de visita. O Dr. Bernardo achou estranho que as agressoras tivessem feito o trabalho, mesmo estando a vítima acompanhada por familiares.
(. . .)


GUIDA NUNES
Livro - (IN)JUSTIÇAS
Prefácio - HENRIQUE DÓRIA

NOVIDADE


segunda-feira, 27 de julho de 2015

ROCHA DE SOUSA







(. . .)
Eram muitas as áreas que se massificavam, ensino secundário, universidades, centenas de cursos iguais, inventados à pressa, inúteis a médio prazo, sem que a classe política percebesse que falhava nos modelos, nas orientações, permitindo a vivência de sonhos que escondiam o avanço dos desertos, o desemprego dos próprios professores, o perigo da cadeia de privatizações de sectores estratégicos importantes. Alguém já avistava no horizonte escolas vazias pela falta de alentos projectados sobre o interior, aldeias abandonadas, florestas apressada e impunemente queimadas.
Foi então que os portugueses desempregados se esconderam, começando a viajar às centenas de milhares, emigrantes outra vez, enquanto de fora chegavam vagas de candidatos ao trabalho duro, pendurando-se em andaimes de construções já sem utilidade. (. . .)


ROCHA DE SOUSA
Livro BELAS - ARTES E SEGREDOS CONVENTUAIS
Capa de ROCHA DE SOUSA




sexta-feira, 24 de julho de 2015

FERNANDO PESSOA







"O valor das coisas não está no tempo em que elas duram,
   mas na intensidade com que acontecem.
   Por isso existem momentos inesquecíveis,
   coisas inexplicáveis
   e pessoas incomparáveis."

Fernando Pessoa



terça-feira, 21 de julho de 2015

ROCHA DE SOUSA







(. . .)
Nunca, em História de Arte ou em Arqueologia, se atingira o fim do programa, nem sequer nos capítulos relativos à Idade Média. Macedo deliciava-se com as peculiaridades da indumentária feminina em Creta, inserindo planos sobre planos a propósito da leveza da roupa, das saias curtas, brancas, e das sandálias adequadas ao conjunto - modelo para mulheres que não usavam os peitos presos e gostavam de sentir o ar afagar-lhe a pele e os cabelos. Sem garantir nada disto, apenas preso a um devaneio que se enchia de fumo e cinza, o professor mostrava, por um lado, interessar-se vivamente, entre várias fixações, quer pela civilização grega, anunciando, os avanços dessa cultura que ainda nos toca, na filosofia, nas artes em geral. (. . .)




ROCHA DE SOUSA
Livro BELAS - ARTES E SEGREDOS CONVENTUAIS



segunda-feira, 13 de julho de 2015

ANTÓNIO CABRAL







A TENTAÇÃO DE SANTO ANTÃO
ANTÓNIO CABRAL

PRÉMIO NACIONAL DE POESIA
FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES












sexta-feira, 10 de julho de 2015

PEDRO SINDE







(. . .)
A luta pela santidade é talvez um dos pontos mais importantes entre aqueles que perpassam toda a obra de Agostinho da Silva. A santidade é o caminho para o Quinto Império e para aquele outro Império que será já celeste, acima e para lá da História e, por isso, inimaginável, embora não se possa confundir com utopia, que é, para Agostinho da Silva, apenas uma projecção futura com o arranjo dos elementos que se conhecem do presente. Agostinho da Silva entende que a santidade devia ser o ideal comum a todos os homens, esse é ou devia ser o seu "primeiro dever". (. . .)




PEDRO SINDE
SETE SÁBIOS PORTUGUESES
Capa de ESPIGA Pinto



quinta-feira, 9 de julho de 2015

GUIDA NUNES







QUE VENHAM TODAS AS MÃOS



Algumas pessoas nascidas e criadas em terras pequenas de Portugal vivem a política como se fosse um dos factos mais importantes da vida. Aqui não caberá explicar a razão para isto, mas sempre será necessário abordar alguns aspectos para melhor entendermos este episódio. Contudo, quando falamos de política, ela não deverá ser encarada no seu sentido amplo, de ideais ou objectivos para o mundo, as pessoas, mas de vitórias ou derrotas desta ou daquela pessoa, deste ou daquele partido. E muitas vezes não existe uma explicação plausível para estas preferências. (. . .)



GUIDA NUNES
25 SEM ABRIL



segunda-feira, 6 de julho de 2015

MAHATMA GANDHI





"Não existe um caminho para a felicidade.
   A felicidade é o caminho."


Mahatma Gandhi


quinta-feira, 25 de junho de 2015

terça-feira, 23 de junho de 2015

ANTÓNIO CABRAL



(. . .)
À luz de outro mesmo rumor, estará mais perto de mim. Os camponeses que em ti se reflectiam riam-se ao beberem no teu vinho o fogo roubado aos deuses. Cantavam: alto vai o setestrelo, alta vai a lua nova, e ao outro dia lá estáveis todos, cada qual ao pé da sua cova, enquanto os passos indecifráveis do lagarto evoluíam. E eu fui de facto para bem longe, crescendo no meio de cedros ornamentais e livros tão altos como eles. Às vezes sentia vertigens e mandava-tas dentro de um envelope com fios de seda e sede daquela fonte de água translúcida onde o firmamento dormia, apesar de tudo, e continuavas a beber, enviando-ma já convertida em palavras nas cartas que ainda guardo numa gaveta. Agora, como sempre, vejo-te derreado ao peso de tão oblíquo azul e eu é que me sinto o chasco do carrasco dentro desta página que certamente alguém queimará com esteva e rosmaninho na fogueira de S. João, ao menos isso, bem antes de passar um milhão de anos. Obrigado pela tua memória.


Texto de ANTÓNIO CABRAL
Livro A TENTAÇÃO DE SANTO ANTÃO


domingo, 21 de junho de 2015

Pensamento














"Grandes pensamentos falam apenas com as mais
contemplativas mentes, mas grandes acções falam
com toda a humanidade."


Emily P. Bissell








sexta-feira, 19 de junho de 2015

JOÃO PINTO VIEIRA DA COSTA









(. . .)
Tal como as sementes do mundo vegetal se espalham pelo vento, indo germinar noutro local, muitas destas brincadeiras registam-se ao longo de Portugal e noutros espaços do mundo. Destaca-se, no entanto, a matéria vegetal utilizada, de acordo com a vegetação predominante em cada região ou localidade. Como exemplo, a base de apoio da fisga surge construída em giesta, carvalho, castanheiro, freixo e buxo. (. . .)



Texto de JOÃO PINTO VIEIRA DA COSTA
Livro FLORA DE BRINCADEIRAS



quarta-feira, 17 de junho de 2015

ANTÓNIO FORTUNA







(. . .)
O Grande Agostinho da Silva, dizia: faça o artista o que quiser, ninguém lhe dê conselhos, e se lhos derem ria o artista; a sua órbita depende da sua vontade; rume a que céus quiser e seja imprevisível.
A realidade é dura, crua e sem metáforas. Tenho para mim, que a vida do Dr. Daniel não durará mais que uma década de luz solar. A ver vamos. . . (. . .)



Texto de ANTÓNIO FORTUNA
Livro O SÉTINO SENTIDO





segunda-feira, 15 de junho de 2015

MANUELA MORAIS






DOURO


O Douro é ainda o Paraíso mágico que nos maravilha os olhos, fascina a alma e revigora o coração. É a porta de encantamento para uma realidade geográfica incontornável, determinante e envolvente. O Rio Douro serpenteia através das rochas e, dos dois lados em socalcos, erguem-se altas margens de montanhas adornadas de vinhas. Tem uma paisagem excepcional.
Os pequenos vales estão invadidos por oliveiras, amendoeiras e árvores de fruto.
O Douro é, sem dúvida, de uma beleza e grandiosidade únicas. Será, com certeza, o recanto mais sublime da nossa Pátria. Aqui produz-se o célebre e delicioso Vinho do Porto, perpetuando um Património ímpar: de sabor, odor e cor excepcionais. É a mais antiga Região Demarcada do Mundo, com vista panorâmica esplêndida, pela sua imponente situação privilegiada de "tecto de Portugal".
Uma verdadeira viagem no tempo mantém intacta a sacralidade e a ritualidade destas encostas deslumbrantes. (. . .)


Texto de MANUELA MORAIS
Livro A TARTARUGA SONHADORA
Capa e Desenhos ESPIGA PINTO






"A TARTARUGA SONHADORA é um livro maravilhoso"

AFONSO CAUTELA








sábado, 13 de junho de 2015

FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES









Voltaram as flores as anémonas os
jasmins os lilases e as mimosas
substantivas sem memória chegaram as
rosas
a cujo aroma os sentidos contaram a
nossa breve história


chegou o dia perfeito das mãos dadas
dos corpos unidos
das pétalas contadas
de todos os encantamentos prometidos
pelas fadas


era pois de esperar que assim
tu viesses ocupar
nua e perfeita o teu lugar
no jardim


mas voltaram as flores e sobre o Tejo
que nos vales se esconde
irão suas pétalas caindo
sílabas de um nome que se irão unindo
para além do horizonte não sei onde.




Poema de FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
Livro ANDAMENTO



quinta-feira, 11 de junho de 2015

FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES







Ficou um poema no teu rosto a
mão cheia de amoras amêndoas e
morangos no teu colo dobrado cinco
pétalas de malmequer no chão cinco
dedos da mão cinco
sílabas do poema inacabado


veste a memória de luz os
nossos corpos nus e na
água nocturna do teu nome dilui o
desejo a cor do lume


ficou um poema no teu rosto que
eu não lerei mais não
voltará a roseira do
teu corpo a dar
rosas iguais.


Poema de FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
Livro JÚBILO DA SEIVA



terça-feira, 9 de junho de 2015

FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES







MEMÓRIA DO CORPO


Não há morte na memória do teu corpo


apenas o gesto de mastigar a neve
o cansaço furioso
o bafo cinzento da respiração


gosto do teu corpo
do sal do teu suor
dedos deslizando nos dedos o
gosto da tua saliva


passa o tempo e desfaz-se
derretido na concha da tua boca


mas hoje os teus olhos são barcos ancorados
que não atravessam o rio dos meus versos


e as mãos nas tuas mãos
são só dedos
dispersos.


Poema de FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
Livro - MEMÓRIA IMPERFEITA



quinta-feira, 28 de maio de 2015