VITA BREVIS
mas no barco do poema segue a viagem
anterior ao
naufrágio quotidiano da memória
Poema de FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
Livro JÚBILO DA SEIVA, página 15
VITA BREVIS
mas no barco do poema segue a viagem
anterior ao
naufrágio quotidiano da memória
Poema de FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
Livro JÚBILO DA SEIVA, página 15
Este livrinho, impregnado com os verdadeiros sentimentos do amor e da compaixão, é composto por um pouco mais de três dezenas de poemas, e tem o sincero e o verdadeiro propósito de contribuir para a compreensão da União, no sentido emocional, de duas Pátrias: a Ucrânia e Portugal, dois Países dos extremos opostos da Europa, Leste e Oeste. Os poemas têm os nomes de algumas cidades, mas todo o País está dentro destas páginas escritas com o meu profundo sentir, a minha mágoa e a minha dedicação, - é como se a minha Pátria abraçasse inequivocamente a Pátria Ucrânia.
(...)
KYIV
Se eu fosse
uma estrelinha luminosa no céu
estaria aí a iluminar a capital
da tua Ucrânia Europeia
sem hesitar!
Se eu fosse
uma espiga de trigo
enfeitava esses vastos campos
com papoilas, amor, paz e liberdade
que não se pode comprar...
Sou, apenas, madrugada inesperada,
transformada em triste Primavera,
solidão, desgosto, tristeza,
amargura,
desejo intenso de amenizar
os teus dias sombrios, sem mísseis a cruzar o céu,
correr no campo, dar-te a mão,
abraçar essa imensa Mátria de cúpulas douradas,
respirar com o peito pleno de ar,
unir as nossas Pátrias,
voar de Lisboa a Kyiv com satisfação...
Manuela Morais
UCRÂNIA Gloriosa, págs. 9 / 19
(...)
O Fernão escreveu vários livros de poesia, alguns contos, milhares de cartas, um número incontável de ensaios. Ler a sua Obra é caminhar na luminosidade, conhecer melhor o seu mundo interior mais privado, decifrar como a beleza da sua poesia brota com limpidez e renovação! O amor brilha sem complexidade, livre e liberto de implicações desencontradas. Usa uma linguagem extraordinária, possui uma identidade que transcende o corpo, as emoções, os pensamentos, os desejos, Cada verso atinge a sua autonomia íntegra. (...)
BIOGRAFIA . FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
Autora . MANUELA MORAIS
Apresentação do Livro
BIOGRAFIA
FERNÃO DE
MAGALHÃES
GONÇALVES
Por
MANUELA MORAIS
(...)
Fernão de Magalhães Gonçalves viveu menos de meio século, exactamente, e, apenas, quarenta e cinco anos de idade, mas produziu uma Obra com uma enorme e inegável qualidade. Circundou o globo terrestre, como o seu homónimo, o grande navegador. As suas preocupações existenciais caminhavam para lá do conhecimento das verdadeiras potencialidades de saber encontrar o caminho pessoal aliado à nossa imaginação. Foi, sem dúvida, um destacado Poeta, Professor e Escritor. No ensino destacou-se com um enorme sucesso a divulgar a Língua e a Cultura portuguesas, nas Universidades de Granada, em Espanha, e em Seoul, na Coreia do Sul. É considerado o melhor e o mais profundo estudioso da grandiosa Obra do ilustre, e, também, transmontano Miguel Torga.
(...)
Biografia. FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES, páginas 21 / 23.
Autora . Manuela Morais
Biografia é o registo rigoroso e exaustivo da história de uma vida, na perspectiva de quem acompanhou, ao lado, essa vivência em contínua e inequívoca interacção. A realidade deverá ser contada de modo espontâneo, não se pode apagar ou adulterar a memória, distorcer, maquilhar a verdade, enaltecer de forma desmerecida, ou tendenciosa. Não deve ser escrita com a total racionalidade, pois as emoções e os sentimentos são o que de mais puro e humano tem maior evidência na relação das criaturas!
Fernão de Magalhães Gonçalves amava, em profundidade, os livros, as pessoas e todas as formas da criatividade! Possuía um verdadeiro encanto original. Mostrava-se jovial, natural, e o seu olhar, com a cor da avelã, transmitia uma personalidade sensível e sensual. (...)
Manuela Morais
BIOGRAFIA de FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES, pág. 11
X
ficou um poema no teu rosto a
mão cheia de amoras amêndoas e
morangos no teu colo dobrado cinco
pétalas de malmequer no chão cinco
dedos da mão cinco
sílabas do poema inacabado
veste a memória de luz os
nossos corpos nus e na
água nocturna do teu nome dilui o
desejo a cor do lume
ficou um poema no teu rosto que
eu não lerei mais não
voltará a roseira do
teu corpo a dar
rosas iguais
Poema de FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
Livro - JÚBILO DA SEIVA, pág. 25
chegaste enfim ao cais deste poema e a
evidência é tamanha como a
alegria que serve de tema à
música dos versos que a acompanha
Poema de FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
Livro - Memória Imperfeita, pág. 22
NOME DO MEU NOME
Nome do meu nome
rouca bainha de não sei que grito
puro atrito
dos teus dedos abrindo as minha mãos
não sei se neste vazio de formas e de sons
um pássaro nasceu
ou o tempo roeu
seus ramos e pulmões
breve movimento
de cabelos
parado perfil de seios e joelhos
onde se quebra a luz deste momento.
Poema de FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
Livro - ANDAMENTO, página 14
Capa de NADIR AFONSO
SEXTA- FEIRA SANTA
As trevas caíram sobre a tarde meu amor
ensopados pelo sangue dos espinhos
os meus olhos procuraram sobre os montes
o perfil parado dos pinhais
dobrada sobre a terra
tu eras a torrente dos nossos serenos dias
estavas como uma rola abatida e eu cuspia ao ar
o vinagre e o fel que tu bebias
secaste as lágrimas no véu que ocultava a vergonha
do meu corpo
seguiste com o olhar o grito
e o eco do meu grito
a terra tremeu debaixo dos teus pés e fixaste
nos meus olhos empedrados
a noite que já mais uniria os nossos gestos.
Poema de FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
Livro -ANDAMENTO, página 15
Capa de NADIR AFONSO
OS DENTES DO LEITE
Quem matou Jesus Cristo? E a terra
abriu-se
redonda e repetida
o véu do templo rasgou-se-me nos olhos e
cá dentro a infância
dividiu-se
quem matou Jesus Cristo? Perguntava o
reitor de mão esticada e
estalada
nas ventas de quem tivesse a fé mal informada
contra mim te escrevo e sobre mim
ao compasso do meu sangue e
à luz da
tua lâmpada de azeite que
me abriu o teu nome e os meus pecados na
letra de cem catecismos rasgados
com os dentes do leite.
Poema de FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
Livro - Memória Imperfeita, pág. 75