
sábado, 12 de março de 2016
MIGUEL TORGA - O Drama de Existir
(. . .)
Novo ainda - nasceu em 1907, em S. Martinho de Anta, freguesia do concelho de Sabrosa -, formado em medicina, vivendo da sua profissão, que cultivou activamente, Miguel Torga escreveu algumas dezenas de volumes, em prosa e em verso. A primeira impressão que causa ao ler os seus livros é a de uma força avassaladora. Este escritor começou por pertencer ao grupo da Presença, a famosa revista que, depois de Orfeu, tanto contribuiu para arejar o meio literário português. Mas, depressa a sua rebeldia o levou para outro caminho. Com alguns companheiros iniciou a marcha e, daí a pouco, seguiu sozinho e inconformado. Tinha que ser assim. Uma força avassaladora não pode ser contida facilmente. As escolas literárias nascem, se correspondem a reais necessidades desenvolvem-se, duram, mas passam. Só os escritores que têm alguma coisa a dizer, e a dizem, só os escritores que profundamente sentem a vida, permanecem. (. . .)
ARMINDO AUGUSTO
MIGUEL TORGA - O Drama de Existir
sexta-feira, 11 de março de 2016
quinta-feira, 10 de março de 2016
terça-feira, 8 de março de 2016
domingo, 6 de março de 2016
sábado, 5 de março de 2016
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016
Cântico ao AMOR
«Cântico ao Amor»
- Detalhes
- Escrito por Jorge Lage
- Categoria: Publicações
«Cântico ao Amor», de Manuela Morais
Novo livro «Cântico ao Amor», da murcense Manuela Morais
Durante mais de 25 anos, Manuela Morais, passou grande parte do seu tempo a promover, a editar e a difundir a memória literária do seu primeiro marido, Fernão de Magalhães Gonçalves. Editou 15 títulos da obra do Fernão. Não satisfeita com isso, em 2007, cria o «Prémio Nacional de Poesia, Fernão de Magalhães Gonçalves», em memória do seu grande amor e passados uns 20 anos sobre a dolorosa separação.
O primeiro prémio foi atribuído ao amigo comum, António Cabral, com a obra «A Tentação de Santo Antão». Na sua editora, «Tartaruga», já saíram uns 80 títulos, sendo um grande contributo para a cultura trasmontana e nacional. Pelo meio fez uma licenciatura em «Literatura Comparada». E são da sua autoria três títulos (Três Rios Abraçam o Coração, A Tartaruga Sonhadora e 55 Orações Marianas), sendo o «Cântico ao Amor» o quarto, com dois luminosos corações na capa (do saudoso escultor Espiga Pinto) e na contracapa três fac-simile de dedicatórias do Fernão Magalhães Gonçalves. Abre com dois belos poemas, «Manuela» e «hoje nada te prometo», do Fernão, prosseguindo com o camoniano «Amor é um fogo que arde sem se ver» e «Amar», de Florbela Espanca. M. Verdelho, sob o título, «Sinalagma do amor» e diz que «este Cântico é obra de romance em poesia». E Pedro Teixeira da Mota, no Prefácio classifica o seu livro como «Poesia de amor intensamente sentida». Também Ernesto Rodrigues, na badana da contracapa fala da «reciprocidade do amor: As nuvens lançam raízes// trazendo vibrações à terra.»
Depois, são umas três dúzias de poemas de um realismo amoroso de quem como Florbela Espanca o pintava em letras de fogo cósmico e infindo («Eu quero amar, amar perdidamente!»). De quem ama a imensa felicidade sentida num passado distante e que o amarra ao tempo presente, para o reatar no porvir do Além. É uma libertação pela dor sentida e indefinida como se fizesse um choro dum noivado eterno que se esfumou. As memórias e os sonhos são a força do presente para continuar a viver e a lutar, por exemplo no seu poema a «Sedução»:
Seduzido pelo versoAjeitamos o coração.
As linhas das nossas mãos
Deixaram sulcos profundos
Na relva macia,
Nas folhas, nas flores.
Os primeiros beijos guardados
No tapete da salsa,
Debaixo da ramada,
Atrás da casa.
Lembras-te?
Minha Mãe inquieta,
Sem explicação para o fenómeno.
A salsa toda amarrotada.
E eu
Descarada
Culpei o cão.
Nota: A Manuela Morais nasceu em Murça, em 1955 e começou a publicar poemas desde os seus 11 anos. O livro pode ser pedido a tartaruga.editora@gmail.com
.
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016
Cântico ao AMOR
Cântico ao AMOR - Poemas de Manuela Morais
Texto de Cláudio Lima - Poeta
Publicado no Jornal AS ARTES ENTRE AS LETRAS, 10 fevereiro 2016 - página 9
Regista a poesia portuguesa muitos cânticos de/ao amor. Em diversos ritmos e rimas, nos mais variados modos e níveis de o sentir e conceber. Poemas refletindo o embevecimento contemplativo da pessoa amada ou as vagas impetuosas da paixão, consoante a pulsão erótica de corpos e almas que lhes dão suporte e sentido.
Manuela Morais publicou recentemente, na editora Tartaruga, que criou e mantém ativa desde 1991, um livrinho a que deu o título de Cântico ao AMOR. São 33 poemas breves, de verso curto e fluído onde, com delicada sensibilidade, evoca os dois grandes amores de sua vida: primeiro Fernão de Magalhães Gonçalves, (1943/1988) o malogrado poeta e escritor subitamente falecido em Seul (Coreia do Sul) em cuja universidade se encontrava como leitor de língua e cultura portuguesas -; depois José Manuel Espiga Pinto (1940/2014), consagrado escultor, pintor, desenhista e medalhista, com quem partilhou muitos afetos, sonhos e cumplicidades entre Vila Viçosa e o Porto, em idas e voltas de trabalho, lazer e convívio. Começa por inserir dois poemas que o Fernão lhe dedicou, onde podemos ler: "nome feito à unha / tábua da cama / com um cristo na cruz por testemunha" ou "neste poema concreto vai / apenas um beijo o / desejo de / contigo correr entre os silvedos (...)". Depois, como epígrafes, os dois conhecidos sonetos "Amor é um fogo que arde sem se ver" (Camões) e "Eu quero amar, amar perdidamente" (Florbela). Segue-se um esboço biográfico (O Sinalagma do Amor) em que M. Verdelho recorda a menina e moça que em Murça se apaixona pelo jovem professor e assim inicia uma aventura que será intensa e extensa, "pelo mundo em pedaços repartida". Finalmente, num curto Prefácio, Pedro Teixeira da Mota simbolicamente alude à dança entre os irmãos Eros e Anteros "dança entre o amor irradiado e o amor correspondido".
Duas palavras sobre a poesia da autora. Muito segura e autêntica na expressão da felicidade plena, conquanto efémera; na reconstituição de uma cartografia de vivências, partilhas e perdas nela aflorada recorrentemente. "Desenhaste no meu coração / lagoas luminosas, / uvas douradas pelo sol / nas raízes do amor / em / construção." (pág.23); "Ensina-me um coração alegre / e generoso / como o teu. // Ensina-me a semear abundantemente / o amor, / com júbilo, / no mais profundo do meu ser." (pág.37); "Mostra-me o tempo / de escutar a respiração / do teu corpo / sobre o meu / das tuas mãos vestido, (...)" (pág.42); "Não tenho mais palavras / gastei-as a chamar-te, / quase enlouquecida / de sentir-te / e não poder tocar-te. // Hoje o que sei dizer / faço-o em versos / para recordar-te." (pág.53)
Por estes pequenos excertos se pode constatar o quanto para a Autora a poesia funciona como instrumento catártico e apaziguador; espécie de escudo e refúgio contra o desespero e a revolta. Se o mundo é absurdo (Camus); se a vida nos surpreende negativamente, cerceando sonhos e ideais, sejamos fortes contra a adversidade, transferindo estados de alma negativos para estádios elevados de confiança numa força que nos supera e nos conduz, conscientes dessa "admirável harmonia do universo", com "nossos luminosos corpos / prodigiosamente atraídos / pelo divino construtor." (pág.49)
Apesar de algumas nuvens intercalares e tenebrosas, a poesia de Manuela Morais é luminosa.
Publicada por Armando Palavras
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016
Cântico ao AMOR
Enviar a mensagem por e-mailDê a sua opinião!Partilhar no TwitterPartilhar no FacebookPartilhar no Pinterest
Cântico ao AMOR de Manuela Morais
Publicado no Jornal "Poetas e Trovadores", 31 de Dezembro de 2015, página 10.
Esta obra evoca as várias dimensões do amor vivido pelo sujeito poético, num tempo em que, agora, se transformou em saudade metafísica.
Lembrando Camões e Florbela Espanca que ora cantaram o Amor de uma forma intensa e arrebatada ora, através de metáforas e de interrogações retóricas, questionavam os efeitos de tão profundo sentimento, a poetisa relembra o seu passado e presta homenagem aos dois eternos companheiros - Fernão de Magalhães Gonçalves e Espiga Pinto - com quem partilhou o "verdadeiro amor,/símbolo de continuidade e regeneração." (p.27).
Esse sentimento grandioso e sublime surge associado a expressões corporais - o olhar, os dedos, as mãos, o peito, o coração - para reforçar a entrega total de um ser ao outro: "As tuas mãos/ nas minhas mãos/ reflectem o sol." (p.26); "O teu corpo/ dentro do meu corpo/ vai semeando no caminho" (p.28). Esta fusão de sentimentos, contemplando, em nome do verdadeiro amor, a dor da separação dos amados, remete-nos para a súplica de Eros junto de Zeus, lutando pela paz no Olimpo. Assim, o sujeito lírico aspira, em vários poemas, a esse reencontro final com o "tu", desmistificando os mistérios do transcendente e do Além. A poetisa que se identificou com a lua, cedendo o luar para o masculino: "Eu sou a lua./ Tu és o luar,/ a harmonia/ do rio transbordante/ de vida." (p.30), revela-nos que prezava a tranquilidade neste percurso vivencial, mesmo na qualidade de sombra, de dependência perante o luar (o outro) que a encaminhava sempre para o desabrochar da vida.
A nomeação dos elementos da natureza, quer na sua forma líquida quer sólida - caso da água, mar, rio/terra, flores - contribuem para uma maior união das emoções vividas, sugerindo fusão, uma espécie de ponte para a outra margem, a de lá: "Conta-me esses mistérios/ de circundar a esfera celeste,/ deslizar na faixa brilhante,/ e os novos aromas/ que trazes para o nosso quarto,/ quando me vens acordar." (p.52), pois cá, através da memória e dos sentidos, sente o aroma que ficou e, agora, perfuma o quarto que ambos partilharam no "nosso quarto". A dialética temporal agudiza uma certa melancolia ínsita nestes poemas, resquícios de reminiscências que os espaços ajudaram a preservar e que, numa conjugação de categorias espaço-tempo, permitem eternizar o Amor. Há poemas que, pela evocação do circundar, de busca, sugerem um primeiro tempo de amor vivido; enquanto outros semantemas nos remetem para outro tempo. Neste "entre" o sujeito lírico confessa muito ter aprendido com o "tu" e reconhece que está mais completa com essas aprendizagens: "Estou mais completa/ muito de ti em mim,/ algo de mim em ti,/ para um dia me encontrares" (p.53). Uma espécie de preparação para o reencontro final, lembrando Saturno e Vénus; desprendida da corrente da vida; qual Vénus se entrega ao verdadeiro deus! Ela que sempre seduziu, espera, nesta atitude catártica, prepara-se para o caminho das estrelas, o mesmo céu que traçou o seu Destino: "O céu/ do teu destino/ marca/ o compasso do meu" (p.41) - ambos ficarão eternos pelo Amor, razão pela qual este sentimento aparece personificado na capa AMOR (em maiúsculas). O título é, assim, o resultado desta mundividência em que o real e o esoterismo se juntam, em jeito musical.
Nesta relação triádica, o feminino surge como equilíbrio artístico entre escrita e pintura, como aliás, o livro testemunha: na capa, um desenho de Espiga Pinto, no interior da obra, poemas de Fernão de Magalhães Gonçalves e, no ser total, a chancela da Tartaruga Editora. Ao terminar a obra, o sujeito poético, depois de tantas palavras efusivas sobre a recordação do Amor verdadeiro, mostra-se despojado de tudo e apenas aguarda o momento final: "Escrita/ pintura, nada interessa,/ (...) Digo-te, amor,/ para me vires buscar." (p.53).
O AMOR aqui "cantado" por Manuela Morais espelha o brilho musical dos instrumentos evocados nos lexemas "escrita" e "pintura" que se lhe cravaram na alma como o cheiro na pele; esse mesmo brilho há-de conduzi-la às estrelas, quando a noite vier.
Publicada por Armando Palavras à(s) 18:54
domingo, 14 de fevereiro de 2016
Cântico ao AMOR
Meu Amor
Vem, meu amor,
vem depressa,
acorda-me
do esquecimento
de o teu corpo
no meu corpo
se enrolar,
de gemidos de prazer
guardados
em conchas do mar.
quinta-feira, 28 de janeiro de 2016
domingo, 24 de janeiro de 2016
sábado, 23 de janeiro de 2016
segunda-feira, 28 de dezembro de 2015
Cântico ao AMOR
Cântico ao AMOR
MANUELA MORAIS
Desenho da Capa - ESPIGA Pinto
DESENHO
Desenhaste no meu coração
lagoas luminosas,
uvas douradas pelo sol
nas raízes do amor
em
construção.
Queria abraçar-te
na curva de um caminho,
tecer
um amanhecer
melodioso e brilhante de ouro,
aprender
a medir os sonhos,
entender
o segredo de um sorriso,
compreender
as maravilhas imortais deste mundo
e saborear contigo o paraíso.
quarta-feira, 23 de dezembro de 2015
PRÉMIO NACIONAL DE POESIA - FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
Fotos do Gabinete de Imprensa do Município de Montalegre
PRÉMIO NACIONAL DE POESIA 2015 - FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
entregue a
BARROSO DA FONTE
em
MONTALEGRE
terça-feira, 24 de novembro de 2015
sexta-feira, 20 de novembro de 2015
CÂNTICO AO AMOR
SEM PALAVRAS
Não tenho mais palavras
gastei-as a chamar-te,
quase enlouquecida
de sentir-te
e não poder tocar-te.
Hoje o que sei dizer
faço-o em versos
para recordar-te.
Estou mais completa
muito de ti em mim,
algo de mim em ti,
para um dia me encontrares.
Escrita,
pintura,
nada interessa.
Quando eu aí chegar,
mostro a intensidade desmedida
deste sentimento precioso.
Digo-te, amor,
para me vires buscar.
Livro CÂNTICO AO AMOR, de Manuela Morais
quinta-feira, 19 de novembro de 2015
CÂNTICO AO AMOR
COMOÇÃO
Comovida na Invicta,
na Via Láctea
vejo
o sol brilhar em todo o seu esplendor.
Tu em outra Galáxia.
Andrómeda?
Acessas os complexos segredos
dessas viagens fantásticas.
Fala-me de aglomerados Cósmicos,
do Céu profundo,
mais estrelado
que os meus olhos não alcançam.
Conta-me esses mistérios
de circundar a esfera celeste,
deslizar na faixa brilhante,
e os novos aromas
que trazes para o nosso quarto,
quando me vens acordar.
Livro CÂNTICO AO AMOR, de Manuela Morais
quarta-feira, 18 de novembro de 2015
CÂNTICO AO AMOR
MACIA A NOITE
Macia a noite
surgiu subitamente
anunciando alegrias,
decifrando mistérios,
sinais
de cânticos
no verde
dos pinhais.
Desceu a noite
caminhamos corpos adormecidos
próximos dos campos celestiais.
Durante a noite,
abro-me toda para ti,
promessas de amor eterno.
Incensamos nossos corpos
nus,
escutando ecos de criação.
Amamo-nos,
sem pressa,
com perfeição.
És sedução
e um raminho de alecrim
na palma da minha mão.
Livro CÂNTICO AO AMOR, de Manuela Morais
terça-feira, 17 de novembro de 2015
CÂNTICO AO AMOR
O NOSSO AMOR
O nosso amor
acalma tempestades,
domina o vento,
os mares,
desafia as cristas das montanhas.
O sol continua a brilhar.
A nossa alma
é pura,
cristalina,
lusitana,
impressionante a nossa capacidade de amar.
Livro CÂNTICO AO AMOR, de Manuela Morais
Subscrever:
Comentários (Atom)























