quinta-feira, 19 de novembro de 2015

CÂNTICO AO AMOR







COMOÇÃO




Comovida na Invicta,
na Via Láctea
vejo
o sol brilhar em todo o seu esplendor.


Tu em outra Galáxia.
Andrómeda?
Acessas os complexos segredos
dessas viagens fantásticas.
Fala-me de aglomerados Cósmicos,
do Céu profundo,
mais estrelado
que os meus olhos não alcançam.


Conta-me esses mistérios
de circundar a esfera celeste,
deslizar na faixa brilhante,
e os novos aromas
que trazes para o nosso quarto,
quando me vens acordar.




Livro CÂNTICO AO AMOR, de Manuela Morais



quarta-feira, 18 de novembro de 2015

CÂNTICO AO AMOR







MACIA A NOITE




Macia a noite
surgiu subitamente
anunciando alegrias,
decifrando mistérios,
sinais
de cânticos
no verde
dos pinhais.


Desceu a noite
caminhamos corpos adormecidos
próximos dos campos celestiais.


Durante a noite,
abro-me toda para ti,
promessas de amor eterno.
Incensamos nossos corpos
nus,
escutando ecos de criação.
Amamo-nos,
sem pressa,
com perfeição.


És sedução
e um raminho de alecrim
na palma da minha mão.




Livro CÂNTICO AO AMOR, de Manuela Morais









terça-feira, 17 de novembro de 2015

CÂNTICO AO AMOR







O NOSSO AMOR




O nosso amor
acalma tempestades,
domina o vento,
os mares,
desafia as cristas das montanhas.


O sol continua a brilhar.


A nossa alma
é pura,
cristalina,
lusitana,
impressionante a nossa capacidade de amar.




Livro CÂNTICO AO AMOR, de Manuela Morais











quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Livro (IN)JUSTIÇAS de GUIDA NUNES













Fotografias: Biblioteca Municipal de Montalegre


Apresentação do Livro (IN)JUSTIÇAS, de GUIDA NUNES,
na Biblioteca da Câmara Municipal de Montalegre,
no passado dia 19 de Outubro.
Momento brilhante e inesquecível, evento ímpar.
Um agradecimento especial à Autora, ao Senhor
Presidente do Município, à Dra Gorete, ao Dr. Barroso
da Fonte, aos fotógrafos e jornalistas do Município,
a todos os presentes.



quarta-feira, 14 de outubro de 2015

GUIDA NUNES



NEM SÓ NO MÉDIO ORIENTE. . .


- Aquele diabo casou a filha com um barrosão. E agora está lá aquele estranho a fazer-nos perder a alma. Eu é que não quero estragar a vida aos meus filhos porque, se não, eles vinham cá da América e acabavam com aquela raça.

Quem assim bem falava era uma respeitável senhora de cinquenta e cinco anos contra um vizinho de vinte e cinco, desavindos por questões de águas de rega. O  seu jovem advogado não aprendera no curso, nem no estágio, que a origem das pessoas também pode alterar os direitos dos prédios.
- Senhor doutor, isto já foi longe demais. Até aqui já tínhamos problemas por causa da água, mas o que aquele bandido fez comigo não tem perdão. E isto não fica assim.
- D. Rita, é preciso ver se há provas de agressão. Como a senhora conta as coisas, não sei . . .
- Provas? Então não vê como eu fiquei?

(IN)JUSTIÇAS
GUIDA NUNES


quinta-feira, 8 de outubro de 2015

FERNANDO PESSOA






"Eu amo tudo o que foi,
tudo o que já não é.
A dor que já não dói.
O ontem que a dor deixou.
O que deixou alegria,
só porque foi, e voou.
E hoje é já outro dia."

Fernando Pessoa


segunda-feira, 5 de outubro de 2015

ANTÓNIO TELMO




( . . . )
O desaparecimento de José Marinho e, anos depois, de Álvaro Ribeiro deixou os discípulos  mais ou menos desentendidos uns com os outros. Pelo que me diz respeito, a interpretação da filosofia portuguesa longe do que mais me preocupava tornou-me indiferente ao que os outros diziam ou escreviam. Havia, no entanto, na concepção que alguns faziam da filosofia, um aspecto que, mais tarde, tive de tomar na devida conta: o da valorização do pensamento sobre o sentimento. Com efeito, a valorização do sentimento contra o pensamento, própria das concepções neo-orientalistas, parece exigir que se sacrifique à nossa evolução espiritual aquilo que no homem o distingue, por decreto divino, dos animais e dos anjos.
( . . . )


CONTOS SECRETOS
ANTÓNIO TELMO
Capa e Desenhos de ESPIGA PINTO



segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Um Sorriso para ANTÓNIO TELMO






Espiga Pinto e Manuela Morais, sua mulher (de março de 2000 a 1 de outubro de 2014)



Um sorriso para ANTÓNIO TELMO


"A amizade é uma alma que habita em dois corpos,
um coração que habita em duas almas."
Aristóteles

"Quando a minha voz se calar com a morte
meu coração continuará te falando."
Rabindranath Tagore




           Estamos no amanhecer de uma nova era na história da humanidade, o grande momento da expansão da espiritualidade. Um enorme despertar da humanidade para a força divina, para os Céus.
Encontrava o António Telmo assiduamente, em Vila Viçosa, quando eu corria apressadamente para os correios, ao fim da tarde.
Sorríamos, eu esperava que terminasse de comer a empada de galinha, e falávamos de livros, da Maria Antónia, da Anahí e, claro, do trabalho de meu Marido, o Espiga Pinto. Dizia-lhe, com humor, que o fechava à chave no atelier para trabalhar, como a mulher do Vermeer, o pintor do belíssimo retrato "Rapariga com  Brinco de Pérola".
Um dia contei-lhe que não podia entrar no atelier, porque o Espiga estava lá fechado com sete belas raparigas. António Telmo perguntou, com graça, se eu não sentia ciúmes. Claro que não, respondi pausadamente.
Inteligente como era percebeu imediatamente do que se tratava. Então, mais para o fim da conversa, perguntou quando e onde era a próxima Exposição, pois queria ver as tais raparigas.
Fomos visitá-lo várias vezes a sua casa, em Estremoz. Não medíamos o tempo e era sempre com saudade que o deixávamos.
As nossas conversas, entre mim e o Espiga, não tinham fim.
Saíamos de casa de António Telmo carregados de informação sobre livros importantes, a não perder. Às vezes, no dia seguinte, rumávamos a Badajoz à livraria a procurar essas preciosidades.
António Telmo marcava profundamente quem se cruzasse com ele. A sua calma transmitia uma energia extraordinária. Até a laranjeira próxima da porta de sua casa era muito maior e mais frondosa que as suas vizinhas.
António Telmo sabia escutar atentamente. Os nossos encontros eram um aprendizado contínuo, tinha a capacidade de tornar  o complexo muito acessível. Era um Mestre em todas as circunstâncias, mesmo nos silêncios.
Como editora do seu livro "Contos Secretos" tive, sem dúvida, uma venturosa e iluminada experiência. O Espiga arregaçou as mangas para realizar o excelente trabalho dos desenhos para o seu belíssimo livro e vivemos a suprema harmonia dessa manifestação de força que transcende a compreensão humana.
António Telmo foi um exímio estudioso do significado e simbolismo do número 9 que representa o círculo místico perfeito. Pertenceu à mais antiga associação de homens do mundo. A continuidade não é concebível sem a Tradição e é ela que permite preservar a sua identidade. Era um Ser que habitava um lugar elevado, guiando os nossos passos e elevando os nossos espíritos a vibrações intensas, fazendo a ligação entre o Espírito e os lugares Sagrados. O seu Espírito era radiante e luminoso, caminhando na Ordem dos Grandes Mestres do Esoterismo. Toda a sua atitude era de um autêntico filósofo com lugar destacado na Filosofia Portuguesa, na Filosofia e Tradição, grande pensador, escritor, professor. Um Taurino com vontade firme, constância, persistência, determinado e contemplativo.
A sua Obra é notável. Pessoalmente, sinto-me mais próxima de "História Secreta de Portugal", "Viagem a Granada", "Filosofia e Kabbalah" e "Desembarque dos Maniqueus na Ilha de Camões".
António Telmo ingressou no mundo espiritual, o mundo da realidade suprema e comunhão, em perfeita harmonia com o espírito do universo, permeado pelas poderosas vibrações com os princípios divinos da criação, pelas vibrações da luz. É um verdadeiro filho de Deus com um brilho intenso, misterioso e maravilhoso, - está no plano astral. Estamos no alvorecer da civilização espiritual, na era da reconstrução, do dia, da luz resplandecente e divina, da civilização paradisíaca. A luz do sol é a luz verdadeira que brilha no céu, elevando o nosso nível espiritual. A nossa felicidade será indestrutível. Obrigada, António Telmo, por me ter permitido privar consigo e com a sua Família.
(. . .)


Manuela Morais




Texto Integral publicado em: Vida e Obra de António Telmo




 

 

domingo, 13 de setembro de 2015

ANTÓNIO CABRAL







AO TERCEIRO DIA, HOJE




AO TERCEIRO DIA
                           chegaram os anjos a Stonehenge,
solícitos,
assistiram alvamente à primeira incineração
e cresceram com as pedras.


As codornizes ainda não tinham aquele modo
de voar. Voaram
rente aos fenos. Quem as via
ia com elas no rasto das cabras trepadeiras
destinadas ao sacrifício.


É necessário algum tempo
até nos habituarmos à presença dos anjos.


Os homens assemelham-se às mulheres
e as mulheres assemelham-se aos homens,
quando
nas noites de Inverno uivam com os lobos.
Vinham então os raios de sol
que, ao embaterem fragarosamente contra um lugar
frio,
se corporizavam, tornando-se uns violoncelos
cortantes e outros sorrisos
que ondulavam nas searas,
as quais muito lhes valeram
contra os inimigos.


A lua continuava a ouvir-se no círculo dos lintéis.




ANTÓNIO CABRAL
 A TENTAÇÃO DE SANTO ANTÃO

PRÉMIO NACIONAL DE POESIA
FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES

Capa - ESPIGA PINTO




sexta-feira, 4 de setembro de 2015

NUNO DE FIGUEIREDO





NUNO DE FIGUEIREDO
CREPÚSCULO

PRÉMIO NACIONAL DE POESIA
FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES










sábado, 29 de agosto de 2015

ANTÓNIO FORTUNA







SONATA AO DOURO
ANTÓNIO FORTUNA

PRÉMIO NACIONAL DE POESIA
FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
















sábado, 22 de agosto de 2015

GUIDA NUNES




(. . .)
A sua aparência não faria prever um garanhão assim tão valente. Tinha metro e meio de altura, boca desdentada, mal vestido e arranjado e usava uma ridícula peruca, coisa rara nos lados transmontanos de Portugal. Todas as pessoas  da freguesia sabiam da existência do filho de Maria, perfilhado pelo pai. Mas o motivo da discussão parece ter sido o boato, mais tarde confirmado, do casamento de Norberto e Maria na América, onde costumavam passar temporadas.
A advogada via uma trama engraçada, mas sem grande consistência jurídica. A queixa de Joaquina contra Maria era pelo facto desta lhe ter dado com uma ripa na cabeça, causando-lhe equimoses e ainda lhe ter danificado umas argolas, o que pressupunha luta corporal entre ambas. (. . .)


GUIDA NUNES
(IN)JUSTIÇAS







sábado, 15 de agosto de 2015

CLÁUDIO LIMA







A FOZ DAS PALAVRAS
CLÁUDIO LIMA

PRÉMIO NACIONAL DE POESIA
FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES







terça-feira, 4 de agosto de 2015

GUIDA NUNES




(. . .)
Bernardo cresceu no Alentejo, mas, estudante em Coimbra, conheceu a namorada, futura médica. Escolheram viver na terra dela, uma pequena vila não muito distante daquela cidade de estudantes. Estranhou um pouco o modo de pensar dos seus clientes, mas foi vencendo obstáculos. O caso de Celeste, um dos primeiros da sua carreira de próspero advogado, foi uma das lições.
A jovem senhora pediu os seus serviços para um banal caso de ofensas corporais:
- Estava na minha casa com o meu filho mais novo, de oito anos, e apareceram as duas e malharam em mim e no rapaz.
- Então ninguém viu. . .
- Viu, senhor doutor, uma vizinha, mais velha e que está sempre em casa e também uma prima do meu marido.
- E ela também vive lá?
Não, vivia numa aldeia vizinha, mas para sorte da agredida, estava lá de visita. O Dr. Bernardo achou estranho que as agressoras tivessem feito o trabalho, mesmo estando a vítima acompanhada por familiares.
(. . .)


GUIDA NUNES
Livro - (IN)JUSTIÇAS
Prefácio - HENRIQUE DÓRIA

NOVIDADE


segunda-feira, 27 de julho de 2015

ROCHA DE SOUSA







(. . .)
Eram muitas as áreas que se massificavam, ensino secundário, universidades, centenas de cursos iguais, inventados à pressa, inúteis a médio prazo, sem que a classe política percebesse que falhava nos modelos, nas orientações, permitindo a vivência de sonhos que escondiam o avanço dos desertos, o desemprego dos próprios professores, o perigo da cadeia de privatizações de sectores estratégicos importantes. Alguém já avistava no horizonte escolas vazias pela falta de alentos projectados sobre o interior, aldeias abandonadas, florestas apressada e impunemente queimadas.
Foi então que os portugueses desempregados se esconderam, começando a viajar às centenas de milhares, emigrantes outra vez, enquanto de fora chegavam vagas de candidatos ao trabalho duro, pendurando-se em andaimes de construções já sem utilidade. (. . .)


ROCHA DE SOUSA
Livro BELAS - ARTES E SEGREDOS CONVENTUAIS
Capa de ROCHA DE SOUSA




sexta-feira, 24 de julho de 2015

FERNANDO PESSOA







"O valor das coisas não está no tempo em que elas duram,
   mas na intensidade com que acontecem.
   Por isso existem momentos inesquecíveis,
   coisas inexplicáveis
   e pessoas incomparáveis."

Fernando Pessoa



terça-feira, 21 de julho de 2015

ROCHA DE SOUSA







(. . .)
Nunca, em História de Arte ou em Arqueologia, se atingira o fim do programa, nem sequer nos capítulos relativos à Idade Média. Macedo deliciava-se com as peculiaridades da indumentária feminina em Creta, inserindo planos sobre planos a propósito da leveza da roupa, das saias curtas, brancas, e das sandálias adequadas ao conjunto - modelo para mulheres que não usavam os peitos presos e gostavam de sentir o ar afagar-lhe a pele e os cabelos. Sem garantir nada disto, apenas preso a um devaneio que se enchia de fumo e cinza, o professor mostrava, por um lado, interessar-se vivamente, entre várias fixações, quer pela civilização grega, anunciando, os avanços dessa cultura que ainda nos toca, na filosofia, nas artes em geral. (. . .)




ROCHA DE SOUSA
Livro BELAS - ARTES E SEGREDOS CONVENTUAIS



segunda-feira, 13 de julho de 2015

ANTÓNIO CABRAL







A TENTAÇÃO DE SANTO ANTÃO
ANTÓNIO CABRAL

PRÉMIO NACIONAL DE POESIA
FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES












sexta-feira, 10 de julho de 2015

PEDRO SINDE







(. . .)
A luta pela santidade é talvez um dos pontos mais importantes entre aqueles que perpassam toda a obra de Agostinho da Silva. A santidade é o caminho para o Quinto Império e para aquele outro Império que será já celeste, acima e para lá da História e, por isso, inimaginável, embora não se possa confundir com utopia, que é, para Agostinho da Silva, apenas uma projecção futura com o arranjo dos elementos que se conhecem do presente. Agostinho da Silva entende que a santidade devia ser o ideal comum a todos os homens, esse é ou devia ser o seu "primeiro dever". (. . .)




PEDRO SINDE
SETE SÁBIOS PORTUGUESES
Capa de ESPIGA Pinto



quinta-feira, 9 de julho de 2015

GUIDA NUNES







QUE VENHAM TODAS AS MÃOS



Algumas pessoas nascidas e criadas em terras pequenas de Portugal vivem a política como se fosse um dos factos mais importantes da vida. Aqui não caberá explicar a razão para isto, mas sempre será necessário abordar alguns aspectos para melhor entendermos este episódio. Contudo, quando falamos de política, ela não deverá ser encarada no seu sentido amplo, de ideais ou objectivos para o mundo, as pessoas, mas de vitórias ou derrotas desta ou daquela pessoa, deste ou daquele partido. E muitas vezes não existe uma explicação plausível para estas preferências. (. . .)



GUIDA NUNES
25 SEM ABRIL



segunda-feira, 6 de julho de 2015

MAHATMA GANDHI





"Não existe um caminho para a felicidade.
   A felicidade é o caminho."


Mahatma Gandhi