quarta-feira, 25 de abril de 2018

A Turista de Abril




A TURISTA DE ABRIL

Era ela.

ia em camisa descalça
e ninguém mais a sentiu.
não olhava
nem levava nada
era ela
partiu de madrugada.

andou por aí estes dias
cabisbaixa e calada.
trazia
pão num saco
e pedia
cenouras e laranjas no mercado.
como tinha um buraco no vestido e
não se penteava diziam
que era turista
ou artista do Reino Unido
não sabiam.

tinha na boca o lume inumerável de uma papoula
da Turquia ou da Tailândia
e nos dentes toda a neve da Sibéria ou da Finlândia.
ao pisar era crioula
e no bronze dos ombros
menina
latina
ou africana.
flor de tremoço da Califórnia seus olhos de Hera
e a cigana
de Granada
ali à espera
ao ler-lhe a sina
não leu nada.

andava meio nua
deu aos ombros ao polícia
que nem lhe arrancou o nome.
- "deitas as cascas na rua
vai à merda"
disse o guarda
"mata a fome
mas não sujes a cidade
a multa são dois mil paus
que puta de liberdade".

era ela.

dormia nos
degraus das primeiras escadas que
alguém lhe consentia.

era ela.

- "já foi à fava"
disse o guarda que a via
da janela
para os botões da farda.

Poema de FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
Livro - MEMÓRIA IMPERFEITA 


Jorge Lage

13:20 (Há 21 minutos)



Muito belo.

Grato,


Jorge Lage

quarta-feira, 11 de abril de 2018

sexta-feira, 6 de abril de 2018

Fernão de Magalhães Gonçalves




ALHAMBRA

Este é o lugar do nosso íntimo regresso
aqui tínhamos vivido antes das
palavras usadas e das emoções perplexas
nestas puras águas banhámos o suor
do primeiro prazer
com bálsamos de ervas e de flores
despertámos a alegria adormecida na
monotonia do corpo melodioso
por estes pátios nos passeámos entre
laranjeiras e ciprestes de rosas coroados

esta é a profecia minuciosa que
nos trouxe do deserto
o paraíso desde sempre anunciado
nos olhos que as estrelas enganavam

aqui está a chave da
pureza das imagens destruídas.


Poema de FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
Livro - MEMÓRIA IMPERFEITA


 
 

domingo, 1 de abril de 2018

sexta-feira, 30 de março de 2018

SEXTA-FEIRA SANTA



SEXTA-FEIRA SANTA


As trevas caíram sobre a tarde meu amor
ensopados pelo sangue dos espinhos
os meus olhos procuraram sobre os montes
o perfil parado dos pinhais

dobrada sobre a terra
tu eras a torrente dos nossos serenos dias
estavas como uma rola abatida e eu cuspia ao ar
o vinagre e o fel que tu bebias

secaste as lágrimas no véu que ocultava a vergonha
do meu corpo
seguiste com o olhar o grito
e o eco do meu grito
a terra tremeu debaixo dos teus pés e fixaste
nos meus olhos empedrados
a noite que já mais uniria os nossos gestos.

Poema de FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
Livro - ANDAMENTO

 

segunda-feira, 19 de março de 2018

sexta-feira, 16 de março de 2018

José Manuel Espiga Pinto


Hoje, 16 de Março, aniversário de ESPIGA Pinto






José Manuel ESPIGA Pinto
Vila Viçosa - 16 - 03 - 1940
Porto - 01 - 10 - 2014






Espiga Pinto e Manuela Morais, sua mulher, (de Março de 2000 a 1 de Outubro de 2014)
 
 
 

segunda-feira, 12 de março de 2018

Pensamento




"Aqueles que negam liberdade aos outros não a merecem para si mesmos."

Abraham Lincoln
 
 

quinta-feira, 8 de março de 2018

Dia da Mulher



Dia da Mulher

Mulher move montanhas,
Universos,
Liberta corações aprisionados,
Heroína das tempestades,
Eterniza amores apaixonados,
Rainha do sol, da lua e dos oceanos.

Manuela Morais

 

quarta-feira, 7 de março de 2018

Pensamento




"A imaginação tem todos os poderes: ela faz a beleza, a justiça, e a felicidade, que são os maiores poderes do mundo."

Blaise Pascal
 
 

sábado, 3 de março de 2018

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

William Shakespeare



"O amor é uma loucura sensata, um fel que sufoca, uma doçura que conserva."

William Shakespeare




sábado, 17 de fevereiro de 2018

Cântico ao AMOR


RENASCIMENTO

Renascemos devagar
qual fruto trazido pelo vento,
segredo revelado e desprendido
das mãos de um deus maior.

Renascemos devagar
brisa poderosa
anunciando a maravilha
das camélias
invadindo o jardim,
e nós
nus
apanhando pétalas,
transformando palavras sagradas
em moedas de ouro,
e crianças
bebendo água pura
nos fontanários
das praças,
em taças douradas.

Poema de Manuela Morais
Livro - Cântico ao AMOR

 

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Fernão de Magalhães Gonçalves e José Manuel Espiga Pinto

Desenho de ESPIGA Pinto
 
***
 
Manuela
 
nome no musgo do muro na
casca de carvalho sete letras invertidas
no espelho
sete vezes sete vidas jogadas e
divididas
sete cartas tiradas do baralho
 
nome da cor do ar em
certas horas de o olhar
com a raiva aguçada das
esporas
 
nome feito à unha numa
tábua da cama
com um cristo na cruz por testemunha
 
Poema de Fernão de Magalhães Gonçalves
 
 

sábado, 10 de fevereiro de 2018

sábado, 3 de fevereiro de 2018

domingo, 28 de janeiro de 2018

sábado, 20 de janeiro de 2018

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Fernando Pessoa




“O Homem é do tamanho do seu sonho.”

Fernando Pessoa