domingo, 24 de junho de 2012

SÃO JOÃO

Votos de bom
SÃO JOÃO

sexta-feira, 22 de junho de 2012

MANUELA MORAIS

MANUELA MORAIS
Livro - TRÊS RIOS ABRAÇAM O CORAÇÃO
Capa - ESPIGA PINTO

quarta-feira, 20 de junho de 2012

TRÊS RIOS ABRAÇAM O CORAÇÃO

CAMILO GRAVADO A OURO

(. . .)
Camilo Castelo Branco viveu 65 anos e legou-nos muitas dezenas de livros.
Criador invulgar, viveu, meditou, amou e escreveu com uma intensidade desmedida. Haverá destino mais deslumbrante do que o deste homem de excepção, influenciado pela experiência da sua existência, legando-nos uma Obra fascinante com uma dimensão profundamente encantatória?
Nasceu a 16 de Março de 1825, em Lisboa. Imaginativo e intuitivo com uma natureza sensível, volúvel e instável. (. . .)
Vila Real, em Trás-os-Montes, recebe esta criança predestinada e precoce, contava então 10 anos de idade, ficando aos cuidados de uma tia. Aí, na Região Demarcada do Douro, sendo a mais antiga região vitícola demarcada e regulamentada do mundo, o jovem andarilho cresce, estuda e escreve. (. . .) Seguidamente, passa a viver em casa de sua irmã mais velha, em Vilarinho de Samardã. Aqui a natureza é deslumbrante e austera, propiciando a este observador exímio a sua excepcional e invulgar capacidade de transferir para o papel o seu interesse precocemente manifestado, repleto de imaginação e pormenor, sem perder o essencial, dando-lhe uma dimensão inesperada, inexplicável, mágica e misteriosa.
Mais tarde, vai para casa de outro parente, em Friúme, em Ribeira de Pena.
Continua aí os seus estudos, a sua escrita e os seus amores. (. . .)
A Vida e a Obra de Camilo têm uma dimensão inumerável. Como explicar a origem e significado dos sentimentos, equilíbrios e contradições, desobedecendo à lógica esclarecedora, ao princípio da diferenciação? (. . .)
São Miguel de Seide foi o seu último destino. Viveu aí vários anos e no dia 1 de Junho de 1890 suicidou-se com um tiro certeiro.
A sua cadeira de baloiço continua lá, imóvel, a atestar a eternidade deste gigante das nossas letras.

MANUELA MORAIS
Livro - TRÊS RIOS ABRAÇAM O CORAÇÃO
Capa - ESPIGA PINTO

quinta-feira, 14 de junho de 2012

TRÊS RIOS ABRAÇAM O CORAÇÃO

ESPIGA E INÊS DE CASTRO

Ainda era menino quando chegou à pintura. Homem determinado e invulgar, pinta como quem beija. Entrega-se total e perdidamente.
Do Alentejo, onde nasceu, revelador de uma intuição e sensibilidade apuradíssimas, vem afirmando a solidez e singularidade de um percurso que começa e termina na busca e apreensão dos possíveis sentidos da existência.
Memórias de Inês é uma belíssima temática que fixa as trágicas vicissitudes de uma das mais belas e comoventes histórias de amor da Idade Média, aqui contada (cantada) por este ilustre Pintor com rigorosa fidelidade à sua memória e grandeza, dando-nos, assim, a exacta dimensão cultural e humana da histórica-lendária personagem. (. . .)
O amor, símbolo de continuidade e regeneração, adquire nesta sequência pictórica o seu verdadeiro significado, ou não fosse ele o mais profundo e distintivo elan da humanidade. Aqui, se sente a sua pulsação, em perpétuo movimento regenerador e em variações cromáticas sintonizadas, numa articulação harmoniosa e contínua entre a Terra e o Universo. (. . .)
Estamos perante mais uma obra-prima de um dos mais geniais (não tenhamos medo das palavras) Mestres da pintura portuguesa contemporânea. A espantosa força lírica e formal da sua pintura exponencia um potencial absoluto de ritmo, cor, rigor, encantamento; de atractivo e fascínio.
A pintura é para ser fruída, para partilhar a criatividade, esse genesíaco exercício de interioridade, tendo por instrumentos as fibras da sensibilidade e a espora mágica da memória, instrumentos que, pela mão presdestinada do artista, reanimam a figura grácil e desventurada daquela que, no dizer do poeta, depois de morta foi rainha.
Espiga fascina-nos com toda esta sublime grandeza: o mito, a obsessão de Inês nos sonhos de Pedro, o brazão, o ambiente gótico e a chave. A chave de toda esta maravilha move-se na rigorosa e complexa teia geométrica do Pintor.

MANUELA MORAIS
Livro - TRÊS RIOS ABRAÇAM O CORAÇÃO
Capa de ESPIGA PINTO

quarta-feira, 13 de junho de 2012

SANTO ANTÓNIO

Bom dia de
SANTO ANTÓNIO

quinta-feira, 7 de junho de 2012

MANUELA MORAIS


MANUELA MORAIS
A TARTARUGA SONHADORA
Capa e 7 desenhos de ESPIGA PINTO

segunda-feira, 28 de maio de 2012

A TARTARUGA SONHADORA

DOURO

O Douro é ainda o Paraíso mágico que nos maravilha os olhos, fascina a alma e revigora o coração. É a porta de encantamento para uma realidade geográfica incontornável, determinante e envolvente. O Rio Douro serpenteia através das rochas e, dos dois lados em socalcos, erguem-se altas margens de montanhas adornadas de vinhas. Tem uma paisagem verdadeiramente excepcional.
Os pequenos vales estão invadidos por oliveiras, amendoeiras e árvores de fruto.
O Douro é, sem dúvida, de uma beleza e grandiosidade únicas. Será, com certeza, o recanto mais sublime da nossa Pátria. Aqui produz-se o célebre e delicioso Vinho do Porto, perpetuando um Património ímpar: de sabor, odor e cor excepcionais. É a mais antiga Região Demarcada do Mundo, com vista panorâmica esplêndida, pela sua imponente situação privilegiada de "tecto de Portugal".
Uma verdadeira viagem no tempo mantém intacta a sacralidade e a ritualidade destas encostas deslumbrantes.
É quase impossível não ter a sensação desmedida de Lugar Celestial; belíssimas montanhas atapetadas de videiras constituem o portal de entrada para outra dimensão. A nossa imaginação dispara, consciência ou estado de Ser; parece explorar e descodificar a mensagem murmurada pelos campos, procurando estabelecer contacto com o encantamento, comungando do seu verdadeiro significado.
O Douro é Sol e Lua, amor, beleza, riqueza, sabedoria, esperança e futuro. . .
Aqui estará, sem dúvida, a projecção do Céu sobre a Terra, a imagem perfeita da correspondência entre o microcosmos e o macrocosmos, lugar consagrado e indispensável para a contemplação e "plenitude de graça" que fortalece e revigora a esperança.

MANUELA MORAIS
Livro - A TARTARUGA SONHADORA

quinta-feira, 24 de maio de 2012

A TARTARUGA SONHADORA

AS MONTANHAS SÃO SAGRADAS

A Serra do Marão ergue-se dominante, o Céu repousa nas cristas das montanhas e, assim, os Deuses comunicam com os Seres da Terra.
Devemos subir às montanhas e respeitá-las, buscar o Conhecimento Universal e iniciar, nas colinas, a comunicação privilegiada com o Divino.
As enormes rochas arredondadas atestam a antiguidade e a sua imponência impressiona. O panorama é grandioso: é fascinante apreciar a paisagem sem dimensão, monumental! Maravilha permanentemente! Contemplamos, sem cessar, a majestade deste cenário. Aqui, penhascos graníticos, urzes, pinheiros, rosmaninho, giestas, esteva e animais aprendem os segredos de ler a posição das Estrelas e da Lua. O destino poderoso e misterioso destes rochedos causa deslumbramento e surpreende sem limites.
No horizonte, as imensas montanhas de granito podem estar cobertas de neve ou, dependendo da Estação, podem deixar-nos surpreendidos pela riqueza do colorido. Grandes tufos de flores brancas, amarelas e lilases agarram-se às rochas e desvendam segredos. Assim, estes verdadeiros altares de pedra mostram a sua paisagem imortal e gloriosa, apaziguando o nosso "Ser eternamente". É impossível não comungar com as montanhas, pois o cântico suave e meditativo é claramente recebido, revelado e entendido pela nossa Alma.
As montanhas são a personificação do espírito da Natureza, o pulsar vivo da própria Vida, de ressurreição e de iluminação.
A Serra do Marão é sobejamente conhecida. Aqui, viajamos com os olhos abertos e o espírito livre, tentando encontrar o caminho interior que nos mostre a realidade e faça compreender a perfeição da Tradição Primordial.

MANUELA MORAIS
Livro - A TARTARUGA SONHADORA

segunda-feira, 21 de maio de 2012

MODO DE VIDA

LUAR DE AGOSTO

- Enxota-me essas moscas, porra.
Floriano vinha azedo. Quando soube que o adubo ia subir dali a três dias, meteu-se no camião, foi carregá-lo a Chaves e deixou a arranca das batatas entregue à mulher.
Marília veio cobrir a melancia com uma rodilha.
- Vieste bem tarde.
- E antes não fosse.
- Não trazes o adubo?
- Cem cães a um osso. Trouxe areia para não perder o carreto.
- Hoje é só amoladelas, disse Marília.
- Que houve?, quis saber Floriano.
- Olha, o Silvano e o Malhão. Cheios de vinho. Pegaram-se. Foi uma arrelia tão grande que ainda vai dar uma desgraça.
- O Malhão e as brincadeiras do costume, estou mesmo a ver, disse Floriano. Marília pegou-lhe na palavra.
- Primeiro, começou por desfazer no serviço do Silvano. És um palhinhas que nem enterras os ganchos da enxada, não aguentas meia canada que ficas logo com braços de arame, envergonhas a mulher e não sustentas os filhos, nem para uma barra de sabão forras, que lá em casa anda tudo com remelas nos olhos e côdeas no nariz. (. . .)

FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
Livro - MODO DE VIDA

sexta-feira, 18 de maio de 2012

SONHO ACORDADO

SONHO ACORDADO
AMÉRICO LISBOA AZEVEDO
Capa de ESPIGA PINTO

quarta-feira, 16 de maio de 2012

LIVRO DE HORAS

LIVRO DE HORAS
ILUMINADO OBLIQUAMENTE
Poesia
VÍTOR OLIVEIRA JORGE
Capa e 25 desenhos de ESPIGA PINTO

sexta-feira, 11 de maio de 2012

BRAÇOS ABRAÇADOS

BRAÇOS ABRAÇADOS
Poesia
JOSÉ RODRIGUES DIAS 
Capa - ESPIGA PINTO

quarta-feira, 2 de maio de 2012

FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES

FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
JÚBILO DA SEIVA
Poesia

domingo, 29 de abril de 2012

FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES

Do gosto do teu corpo me ficou na boca o
sabor dos frutos por amadurecer
ágeis se dobraram nos dedos os
mil e um segredos
de os colher

do som da tua voz me ficou nos ouvidos uma
breve melodia interrompida pelo
ritmo monótono da vida
imposto ao sobressalto dos sentidos

da imagem do teu rosto me ficou no olhar
a forma perfeita do teu nome
cova na areia onde cabe o mar
inacabado pão da minha fome.

Poema de FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
Livro - MEMÓRIA IMPERFEITA

quarta-feira, 25 de abril de 2012

FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES

A TURISTA DE ABRIL

Era ela.

ia em camisa descalça
e ninguém mais a sentiu.
não olhava
nem levava nada
era ela
partiu de madrugada.

andou por aí estes dias
cabisbaixa e calada.
trazia
pão num saco
e pedia
cenouras e laranjas no mercado.
como tinha um buraco no vestido e
não se penteava diziam
que era turista
ou artista do Reino Unido
não sabiam.

tinha na boca o lume inumerável de uma papoula
da Turquia ou da Tailândia
e nos dentes toda a neve da Sibéria ou da Finlândia.
ao pisar era crioula
e no bronze dos ombros
menina
latina
ou africana.
flor de tremoço da Califórnia seus olhos de Hera
e a cigana
de Granada
ali à espera
ao ler-lhe a sina
não leu nada.

andava meio nua
deu aos ombros ao polícia
que nem lhe arrancou o nome.
- "deitas as cascas na rua
vai à merda"
disse o guarda
"mata a fome
mas não sujes a cidade
a multa são dois mil paus
que puta de liberdade".

era ela.

dormia nos
degraus das primeiras escadas que
alguém lhe consentia.

era ela.

-"já foi à fava"
disse o guarda que a via
da janela
para os botões da farda.

Poema de FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
Livro MEMÓRIA IMPERFEITA

segunda-feira, 23 de abril de 2012

FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES

FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
ANDAMENTO
Poesia
Capa de NADIR AFONSO

domingo, 22 de abril de 2012

FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES

FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
SER TORGA

quinta-feira, 19 de abril de 2012

FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES


FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
SETE MEDITAÇÕES SOBRE MIGUEL TORGA

segunda-feira, 16 de abril de 2012

FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES

FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
SER E LER MIGUEL TORGA

sexta-feira, 6 de abril de 2012

PÁSCOA

PÁSCOA muito feliz.
Desenho de ESPIGA PINTO

quarta-feira, 4 de abril de 2012

FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES

HIC HOMO JUSTUS ERAT

Entregou seu braço direito à corda dos algozes
e viu as torres do templo através dos cílios estalados

recusou o fel e ofereceu à lança seu lado cheirando
a mulher
suspendeu a cabeça do dia espiral
à sombra dos seus cabelos tilintavam dados e corria o povo

abriu ao trovão sua vazia boca redonda
jazendo ao alto um corvo sacudiu a cabeça para leste

e a noite descendo passava sozinha na cidade
como a inocência dele.

Poema de FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
Livro - MEMÓRIA IMPERFEITA