domingo, 29 de abril de 2012

FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES

Do gosto do teu corpo me ficou na boca o
sabor dos frutos por amadurecer
ágeis se dobraram nos dedos os
mil e um segredos
de os colher

do som da tua voz me ficou nos ouvidos uma
breve melodia interrompida pelo
ritmo monótono da vida
imposto ao sobressalto dos sentidos

da imagem do teu rosto me ficou no olhar
a forma perfeita do teu nome
cova na areia onde cabe o mar
inacabado pão da minha fome.

Poema de FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
Livro - MEMÓRIA IMPERFEITA

quarta-feira, 25 de abril de 2012

FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES

A TURISTA DE ABRIL

Era ela.

ia em camisa descalça
e ninguém mais a sentiu.
não olhava
nem levava nada
era ela
partiu de madrugada.

andou por aí estes dias
cabisbaixa e calada.
trazia
pão num saco
e pedia
cenouras e laranjas no mercado.
como tinha um buraco no vestido e
não se penteava diziam
que era turista
ou artista do Reino Unido
não sabiam.

tinha na boca o lume inumerável de uma papoula
da Turquia ou da Tailândia
e nos dentes toda a neve da Sibéria ou da Finlândia.
ao pisar era crioula
e no bronze dos ombros
menina
latina
ou africana.
flor de tremoço da Califórnia seus olhos de Hera
e a cigana
de Granada
ali à espera
ao ler-lhe a sina
não leu nada.

andava meio nua
deu aos ombros ao polícia
que nem lhe arrancou o nome.
- "deitas as cascas na rua
vai à merda"
disse o guarda
"mata a fome
mas não sujes a cidade
a multa são dois mil paus
que puta de liberdade".

era ela.

dormia nos
degraus das primeiras escadas que
alguém lhe consentia.

era ela.

-"já foi à fava"
disse o guarda que a via
da janela
para os botões da farda.

Poema de FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
Livro MEMÓRIA IMPERFEITA

segunda-feira, 23 de abril de 2012

FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES

FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
ANDAMENTO
Poesia
Capa de NADIR AFONSO

domingo, 22 de abril de 2012

FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES

FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
SER TORGA

quinta-feira, 19 de abril de 2012

FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES


FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
SETE MEDITAÇÕES SOBRE MIGUEL TORGA

segunda-feira, 16 de abril de 2012

FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES

FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
SER E LER MIGUEL TORGA

sexta-feira, 6 de abril de 2012

PÁSCOA

PÁSCOA muito feliz.
Desenho de ESPIGA PINTO

quarta-feira, 4 de abril de 2012

FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES

HIC HOMO JUSTUS ERAT

Entregou seu braço direito à corda dos algozes
e viu as torres do templo através dos cílios estalados

recusou o fel e ofereceu à lança seu lado cheirando
a mulher
suspendeu a cabeça do dia espiral
à sombra dos seus cabelos tilintavam dados e corria o povo

abriu ao trovão sua vazia boca redonda
jazendo ao alto um corvo sacudiu a cabeça para leste

e a noite descendo passava sozinha na cidade
como a inocência dele.

Poema de FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
Livro - MEMÓRIA IMPERFEITA

terça-feira, 27 de março de 2012

JOAQUIM DE BARROS FERREIRA


JOAQUIM DE BARROS FERREIRA
JARDINS SUSPENSOS
Capa de ESPIGA PINTO

quinta-feira, 22 de março de 2012

CARLOS AURÉLIO

CARLOS AURÉLIO
CONSIDERANDO OS FILÓSOFOS
Capa de ESPIGA PINTO

segunda-feira, 19 de março de 2012

MARIANA DE BRITO


MARIANA DE BRITO
ALENTEJO DE LONGE
Capa de ESPIGA PINTO

quinta-feira, 15 de março de 2012

ANTÓNIO CABRAL


ANTÓNIO CABRAL
O RIO QUE PERDEU AS MARGENS
Capa de ESPIGA PINTO

terça-feira, 13 de março de 2012

GUIDA NUNES


GUIDA NUNES
EUROPA ESCONDIDA
Capa - ESPIGA PINTO

quinta-feira, 1 de março de 2012

CONCEPCIÓN DELGADO CORRAL

CONCEPCIÓN DELGADO CORRAL
FLORBELA ESPANCA
Capa e 10 desenhos de ESPIGA PINTO

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

ESPIGA Pinto


ESPIGA Pinto junto à sua Escultura, em bronze.
Palácio da Justiça de Vila Nova de Famalicão.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

ESPIGA Pinto

INFORMAÇÃO
Amanhã, sexta, dia 24 de Fev., aproximadamente às 23 H,
ESPIGA PINTO vai ao Programa NICO À NOITE, na RTP 1.
É o segundo convidado de NICOLAU BREYNER.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES

A FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES

Desmedido nas obras e nos feitos,
Deus o levou na flor da meia - idade,
Deixando para nós a saudade,
A mágoa de perdê-lo, insatisfeito.

Lá no "Assento Etéreo" dos eleitos,
Aonde mora, em plena liberdade,
Tem por missão a busca da Verdade,
Diferente da nossa, sem defeitos.

Todos os grandes génios partem cedo,
Não se moldam às tramas do degredo,
Mundo de imperfeições, corrupto e tosco.

O nosso conterrâneo, de alma eleita,
Em toda a sua essência, a mais perfeita,
Não nos deixou, está sempre connosco!

Cláudio Carneiro

sábado, 28 de janeiro de 2012

FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES


FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
SER E LER MIGUEL TORGA

sábado, 21 de janeiro de 2012

FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES

PORCA DE MURÇA

duraremos
a eternidade circular
da sua forma ambígua e
tumular

deusa-mãe do
terror que a fé na pedra copiou
e que o musgo do tempo disfarçou

a nossa condição é o seu rito
criaturas geradas
das suas entranhas geladas
de granito


Poema de FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES

Livro - ANDAMENTO

domingo, 8 de janeiro de 2012

JOÃO DE DEUS RODRIGUES

Ao Poeta FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES

Todo o homem nasce nu,
E traz com ele, ainda cru,
O fermento que vai levedar
O carácter que vai ter.
Com o qual, para o bem e para o mal,
Ele e a sua circunstância irão fazer,
Inevitavelmente, quaisquer que sejam
As dificuldades a vencer
E os caminhos a percorrer.

Mas o Homem não nasce ferino!
Apenas, por força do destino,
Ele torna-se um ser (im)perfeito,
No meio que o consome, constantemente,
Na busca da perfeição das coisas que na sua mente
Se vão tornando vitais e fazem sentido.
Visando melhorar o mundo dos mortais,
Em constante mutação, no qual está inserido.

E é por isso, que alguns, os predestinados,
Se vão empenhar, determinados,
Na procura de novos horizontes.
Indo ao encontro de criaturas com mentes abertas,
Que se recusaram a ser "Assinalados",
Para se tornarem, com a força do seu carácter,
E a vontade do seu crer, Ensaístas, Pensadores e Poetas.

Ilustres exegetas das palavras, que o saber outorga.
Como nos disse o Poeta Miguel Torga,
Em determinado momento,
Referindo-se ao Poeta de "Júbilo da Seiva",
Da "Memória Imperfeita" e do "Andamento".

Que tão cedo havia de deixar este mundo
Que ele queria livre, fraterno e fecundo.
Quando, para isso, no seu múnus cultural,
Lá longe, distante da terra natal,
Ensinava a língua de Camões a pensar no seu jardim.
Onde havia outras histórias de rosas para cantar,
Em sublimes versos de ouro,
Junto aos socalcos, serpenteados, do rio Douro.

Poema de JOÃO DE DEUS RODRIGUES,
do livro HOMENAGEM AO RIO SABOR
PRÉMIO NACIONAL DE POESIA - 2011
FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES