quarta-feira, 13 de outubro de 2010

AMÉRICO LISBOA AZEVEDO

AMÉRICO LISBOA AZEVEDO - HISTÓRIAS DA AVÓ
Prefácio - JÚLIA SERRA
Capa - ESPIGA PINTO
NOVIDADE

AMÉRICO LISBOA AZEVEDO

O TESOURO OCULTO

Jeremias era um velho agricultor que amanhava a terra com grande amor e empenho.
Amava muito a família e sobretudo os dois filhos, a quem havia transmitido os valores mais importantes e as verdades essenciais que devem orientar a vida de qualquer ser humano.
No entanto, e apesar dos seus extremosos e velados esforços para os bem educar, eles, além de o não ajudarem, gastavam as horas do dia e da noite em estroinices e grandes farras.
Jeremias trabalhou anos e anos a fio, até que uma vez adoeceu gravemente.
Palpitando que a vida lhe escapava rapidamente, pouco antes de morrer, chamou os filhos e disse-lhes:
- André e Pedro, há muito tempo escondi num dos nossos campos um tesouro valioso, mas agora já não me lembro onde. Devido à minha cada vez maior debilidade pressinto que me vou finar em breve e não quero partir sem que vos confiasse este segredo.
As suas últimas palavras levaram os filhos a cavarem a propriedade durante horas, dias e semanas. Mas todas as diligências lhes pareciam em vão. Não havia indícios do tesouro. (. . .)
AMÉRICO LISBOA AZEVEDO - HISTÓRIAS DA AVÓ
Prefácio - JÚLIA SERRA
Capa - ESPIGA PINTO
NOVIDADE

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

CONCEIÇÃO ROSA

CONCEIÇÃO ROSA - A ASA PARTIDA
Prefácio - CARLOS AURÉLIO
Capa - CARLOS AURÉLIO
NOVIDADE

CONCEIÇÃO ROSA

NO FUNDO DO POÇO

Edmundina Paranunca arrumou-se no canto da sala de espera. Olhou o espaço todo, as cadeiras vazias, limpas dos corpos sentados, aguardando aliviar os pesos da alma. Seria possível que o mundo estivesse assim tão cheio de ausências do sofrimento humano? Só ela sentiria tal dor que, por não aguentar, recorresse àquele consultório tão vazio?
Edmundina pouco consultava os médicos das doenças físicas. Os seus afazeres não lhe emprestavam tempo para as doenças se lhe adentrarem. Nas poucas vezes que tinha estado num desses consultórios reparou que havia muitos doentes vivendo em eterna aflição. Aí trocavam-se dores, comparavam-se sintomas e cada um fazia questão de contar a sua história tentando transparecer o seu sofrimento como sendo o mais sofredor e penoso de todos.
E assim, enquanto esperavam a sua vez de entrar, aliviavam o espírito fazendo-se protagonistas sofredores da vida. Todos queriam esmiuçar as suas dores, emprestando agonias estampadas nos rostos gastos. (. . .)


CONCEIÇÃO ROSA - A ASA PARTIDA


NOVIDADE

sábado, 2 de outubro de 2010

FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES

como o primeiro momento da luz dentro do mundo
assim o nosso primeiro amor

pássaros fosforescentes nascendo disparados
das pedras e das folhas
ver-nos-emos face a face

das nossas mãos surgirá
o dia nítido sem noite
contornado de esquecimento

e um longo coro exultante
compensará o vácuo da nossa antiga imagem
diluída na memória para sempre.

Poema de FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
Livro ANDAMENTO

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

ANTÓNIO TELMO

ANTÓNIO TELMO
CONTOS SECRETOS
Capa e desenhos ESPIGA PINTO

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

ANTÓNIO TELMO

O INVENTO OU A SALVAÇÃO DO MUNDO
Aqui se prova, pelo que vai ler-se, que pode fazer-se história com os verbos no pretérito.
A acção decorre em Portugaliza, um país tão estranho como o seu nome, que é, ao mesmo tempo, masculino e feminino. É que na língua portugaleza, como dizem uns, ou portugálica, como dizem ainda, o género dos substantivos não se determina exclusivamente pelas terminações, mas sobretudo pelo étimo que é a verdadeira natureza da palavra. Não concordam os gramáticos sobre a etimologia de Portugaliza. Há aqueles que defendem ser uma palavra composta de porto e de galo, o que a torna soberanamente masculina, dir-se-ia até sexualmente masculina. Há outros que a consideram meigamente feminina, pois dizem que a sua segunda parte, Galiza, se formou de Gal, sílaba que se separou de Portugal e em Galiza se transformou pelo mesmo processo que fez da costela de Adão a forma divina da mulher.
Portugaliza tinha a figura do Homem, mas, como os seus governantes eram inteligentes e sábios, não queriam que os outros países se apercebessem disso e a invejassem e, por isso, escolheram para as diversas partes dessa figura nomes bárbaros. (. . .)
Livro - CONTOS SECRETOS
Conto - O INVENTO OU A SALVAÇÃO DO MUNDO

terça-feira, 7 de setembro de 2010

ANTÓNIO TELMO

ANTÓNIO TELMO
1927 - 2010
Nasceu em Almeida, distrito da Guarda, numa casa da rua do Convento, no centro do hexagrama formado pelas muralhas que cercam a Vila. Foi no dia 2 de Maio de 1927, pelas duas horas da tarde. O Leão aparecia no horizonte e o Sol erguia-se alto no Touro.
Por uma dessas estranhas coincidências que, por vezes, marcam a relação íntima de certos acontecimentos, nas Centúrias de Nostradamus, escritas há cerca de meio milénio, vem anunciando o nascimento do "grand Portugalois", junto a um convento, "en la Guardia". (. . .)

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

ANTÓNIO TELMO

À MEMÓRIA
DE
ANTÓNIO TELMO

domingo, 22 de agosto de 2010

ANTÓNIO TELMO

HOMENAGEM
A
ANTÓNIO TELMO

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES

talvez no instante claro em que o meu corpo no
teu corpo cortava a
ondulação litoral do teu colo este
naufrágio tenha
diluído o teu líquido olhar na espuma e
nas areias

vinha do sul com o motim dos
dedos o fogo que o suor não
apagava em
aroma desfeitos e em
saliva na
nossa pele deslizavam as palavras até ao
voo rouco da
tua respiração tranquila

era o tempo do júbilo da seiva que
subia do meu ao teu olhar sereno quando a
minha boca nos teus seios duros sentia que o
teu púbis cheirava a musgo e feno e sabia a
damascos maduros

Poema de FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES - Livro JÚBILO DA SEIVA

domingo, 8 de agosto de 2010

FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES


FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES - JÚBILO DA SEIVA.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES


FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES - OBRA POÉTICA / ANTOLOGIA.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES

FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES - ANDAMENTO (Poesia).
Capa NADIR AFONSO.

domingo, 1 de agosto de 2010

FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES

AMORÍMETRO

E agora encontro na minha a tua mão no
teu pulso passa um rio barcos ancorados
troncos na torrente e
notas de flauta a montante

tomo-te o pulso conto os impulsos da água
entre ramos de salgueiros cabelos verdes
correm os teus olhos pelos meus
palavra a palavra diluídos

estão certos os pés de violeta e os
fios de relva nas margens
tudo esmorece na pele da água
um rio azul no mapa do teu pulso

demoro a tua saliva na minha boca
pára passando o tempo folha verde no vento
ou pássaro fugindo das nossas mãos abrindo-se
agora neste momento.

Poema de FERNÃO DE MAHALHÃES GONÇALVES
Livro - ANDAMENTO

sexta-feira, 30 de julho de 2010

FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES

e tu voltaste então o rosto para o mar o
corpo nu apenas das
minhas mãos vestido

Poema de FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES - Livro JÚBILO DA SEIVA

quinta-feira, 29 de julho de 2010

FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES


FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES - SETE MEDITAÇÕES SOBRE MIGUEL TORGA

terça-feira, 27 de julho de 2010

FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES

Toda a vida humana é uma história da infância. Biografia significa muito o gráfico de uma vida. E a biografia de Miguel Torga (pseudónio de Adolfo Correia Rocha) conta-se em poucas linhas.
Autor de mais de cinquenta obras de poesia, prosa e teatro publicadas desde os 21 anos, nasceu em 1907, a 12 de Agosto, dia de Santa Clara no calendário romano então vigente, em S. Martinho de Anta, Trás-os-Montes, e é do signo do Leão.
Proveniente de uma família de condição humilde, teve uma infância rural, rigorosamente primitiva e possivelmente feliz. Enredada de desacertos e desencontros, a sua adolescência foi precocemente dura e brutal, humilhante, permanentemente instável. A necessidade de sobrevivência económica leva-o, depois de ser criado de servir no Porto e de uma breve passagem pelo seminário de Lamego, a embarcar para o Brasil, aos 13 anos, onde foi capinador, apanhador de café, vaqueiro e caçador de cobras, na Fazenda de Santa Cruz (Banco Verde), Estado de Minas Gerais. Regressado, cinco anos depois, a Portugal - licencia-se em Medicina na Universidade de Coimbra, cidade onde se estabelece definitivamente, desde 1941, como otorrinolaringologista.
Na juventude, publicou os primeiros livros, conheceu por isso a prisão, foi conspirador e panfletário. Depois, amadureceu sem perder nenhuma das suas virtudes naturais e, perante a escolha das acções possíveis, só encaminhou os gestos para aquelas onde a liberdade se anunciava ou prometia. (. . .)

FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES - SER TORGA

segunda-feira, 26 de julho de 2010

FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES

FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES - SER TORGA

domingo, 18 de julho de 2010

FERNANDO NUNES

(. . .)
Que idade tens? Cinco anos. Contemplas, com os olhos serenos de pureza, a tua irmã bebé, a Paula. Brincaram, zaragatearam e, com a energia do amor, uniram os seus corações de irmãos.
A adolescência, veloz como um relâmpago . . . E os estudos, e as primeiras paixões, e o gosto pelas actividades desportivas . . . Ah! Os sonhos que já não são sonhos mas plena felicidade. O rumor do mar, a brisa salgada e azul, a caça submarina. E, uns anos mais tarde, estou a ver-te a escalar uma falésia com a destreza de um gato, a iniciares-te na escalada desportiva.
Dos vinte aos trinta anos, trabalhas e continuas a sonhar, a praticar desporto . . . E há sempre os amigos, aliás muitos amigos. E ainda tens tempo para alguns divertimentos, para algumas noitadas . . . Cada momento tão intenso e, porque os segundos não se diluíram no vazio do esquecimento, a tua vida é real.
Já estás com trinta e um anos de idade. Desesperado, talvez estejas a chorar . . . Sentes-te no fundo de um poço inundado de trevas, porque uma doença atacou os teus olhos. Mas não te deixas afogar, lutas, encontras novas montanhas para galgar. Aprendes a conviver com a cegueira, a orientar-te com uma bengala, a utilizar um software para poderes trabalhar com o computador.
E o tempo passa, passa . . . E, subitamente, estás a frequentar o curso de formadores. Movimenta, com a agilidade de um maestro, os braços e vai ensaiando uma valsa de passos miudinhos e as palavras saem-lhe energeticamente, entusiasticamente . . . És tu, Fernando; afinal de contas, sou eu, na Fundação Raquel e Martin Sain, a ensinar outros cegos a trabalhar com o computador.
Para os meus pais, a minha irmã e toda a minha família, os meus amigos, os meus ex-formandos, enfim, todos, todos os que se têm cruzado na minha existência, que me fazem compreender agora, neste momento de transcendência, que sou um simples átomo flutuando na dança cósmica de constantes transmutações, - deixo-vos aqui, apenas, uma palavra. Bem-hajam!; que as vossas vidas sejam abençoadas.

FERNANDO NUNES - Livro de contos SOMBRAS DA ALMA
Capa - ESPIGA PINTO

quarta-feira, 7 de julho de 2010

FERNANDO NUNES

FERNANDO NUNES - SOMBRAS DA ALMA (contos)
Capa - ESPIGA PINTO