domingo, 1 de agosto de 2010

FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES

AMORÍMETRO

E agora encontro na minha a tua mão no
teu pulso passa um rio barcos ancorados
troncos na torrente e
notas de flauta a montante

tomo-te o pulso conto os impulsos da água
entre ramos de salgueiros cabelos verdes
correm os teus olhos pelos meus
palavra a palavra diluídos

estão certos os pés de violeta e os
fios de relva nas margens
tudo esmorece na pele da água
um rio azul no mapa do teu pulso

demoro a tua saliva na minha boca
pára passando o tempo folha verde no vento
ou pássaro fugindo das nossas mãos abrindo-se
agora neste momento.

Poema de FERNÃO DE MAHALHÃES GONÇALVES
Livro - ANDAMENTO

sexta-feira, 30 de julho de 2010

FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES

e tu voltaste então o rosto para o mar o
corpo nu apenas das
minhas mãos vestido

Poema de FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES - Livro JÚBILO DA SEIVA

quinta-feira, 29 de julho de 2010

FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES


FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES - SETE MEDITAÇÕES SOBRE MIGUEL TORGA

terça-feira, 27 de julho de 2010

FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES

Toda a vida humana é uma história da infância. Biografia significa muito o gráfico de uma vida. E a biografia de Miguel Torga (pseudónio de Adolfo Correia Rocha) conta-se em poucas linhas.
Autor de mais de cinquenta obras de poesia, prosa e teatro publicadas desde os 21 anos, nasceu em 1907, a 12 de Agosto, dia de Santa Clara no calendário romano então vigente, em S. Martinho de Anta, Trás-os-Montes, e é do signo do Leão.
Proveniente de uma família de condição humilde, teve uma infância rural, rigorosamente primitiva e possivelmente feliz. Enredada de desacertos e desencontros, a sua adolescência foi precocemente dura e brutal, humilhante, permanentemente instável. A necessidade de sobrevivência económica leva-o, depois de ser criado de servir no Porto e de uma breve passagem pelo seminário de Lamego, a embarcar para o Brasil, aos 13 anos, onde foi capinador, apanhador de café, vaqueiro e caçador de cobras, na Fazenda de Santa Cruz (Banco Verde), Estado de Minas Gerais. Regressado, cinco anos depois, a Portugal - licencia-se em Medicina na Universidade de Coimbra, cidade onde se estabelece definitivamente, desde 1941, como otorrinolaringologista.
Na juventude, publicou os primeiros livros, conheceu por isso a prisão, foi conspirador e panfletário. Depois, amadureceu sem perder nenhuma das suas virtudes naturais e, perante a escolha das acções possíveis, só encaminhou os gestos para aquelas onde a liberdade se anunciava ou prometia. (. . .)

FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES - SER TORGA

segunda-feira, 26 de julho de 2010

FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES

FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES - SER TORGA

domingo, 18 de julho de 2010

FERNANDO NUNES

(. . .)
Que idade tens? Cinco anos. Contemplas, com os olhos serenos de pureza, a tua irmã bebé, a Paula. Brincaram, zaragatearam e, com a energia do amor, uniram os seus corações de irmãos.
A adolescência, veloz como um relâmpago . . . E os estudos, e as primeiras paixões, e o gosto pelas actividades desportivas . . . Ah! Os sonhos que já não são sonhos mas plena felicidade. O rumor do mar, a brisa salgada e azul, a caça submarina. E, uns anos mais tarde, estou a ver-te a escalar uma falésia com a destreza de um gato, a iniciares-te na escalada desportiva.
Dos vinte aos trinta anos, trabalhas e continuas a sonhar, a praticar desporto . . . E há sempre os amigos, aliás muitos amigos. E ainda tens tempo para alguns divertimentos, para algumas noitadas . . . Cada momento tão intenso e, porque os segundos não se diluíram no vazio do esquecimento, a tua vida é real.
Já estás com trinta e um anos de idade. Desesperado, talvez estejas a chorar . . . Sentes-te no fundo de um poço inundado de trevas, porque uma doença atacou os teus olhos. Mas não te deixas afogar, lutas, encontras novas montanhas para galgar. Aprendes a conviver com a cegueira, a orientar-te com uma bengala, a utilizar um software para poderes trabalhar com o computador.
E o tempo passa, passa . . . E, subitamente, estás a frequentar o curso de formadores. Movimenta, com a agilidade de um maestro, os braços e vai ensaiando uma valsa de passos miudinhos e as palavras saem-lhe energeticamente, entusiasticamente . . . És tu, Fernando; afinal de contas, sou eu, na Fundação Raquel e Martin Sain, a ensinar outros cegos a trabalhar com o computador.
Para os meus pais, a minha irmã e toda a minha família, os meus amigos, os meus ex-formandos, enfim, todos, todos os que se têm cruzado na minha existência, que me fazem compreender agora, neste momento de transcendência, que sou um simples átomo flutuando na dança cósmica de constantes transmutações, - deixo-vos aqui, apenas, uma palavra. Bem-hajam!; que as vossas vidas sejam abençoadas.

FERNANDO NUNES - Livro de contos SOMBRAS DA ALMA
Capa - ESPIGA PINTO

quarta-feira, 7 de julho de 2010

FERNANDO NUNES

FERNANDO NUNES - SOMBRAS DA ALMA (contos)
Capa - ESPIGA PINTO

segunda-feira, 28 de junho de 2010

FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES

PORCA DE MURÇA


duraremos
a eternidade circular
da sua forma ambígua e
tumular

deusa-mãe do
terror que a fé na pedra copiou
e que o musgo do tempo disfarçou

a nossa condição é o seu rito
criaturas geradas
das suas entranhas geladas
de granito

Poema de FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES - Livro ANDAMENTO

domingo, 27 de junho de 2010

FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES

FOZ DO ARELHO

areias esquecidas adunadas
branco perfil do corpo azul do mar
tanta gaivota ergue voo
deste tempo de aroma respirado
como as ondas logo acabam e as
areias paradas tanto esperam
um futuro igual ao seu passado

areias esquecidas adunadas
tanta ansiedade se apaga nos seus grãos
molhados de cristal
tanto sonho nascido
perdido
nestas conchinhas dobradas

areias esquecidas adunadas

tanta hora aqui fecha os olhos para sempre
tanta caravela pronta aqui não está
tantas ninfas e poetas não assistem
tanta mensagem nunca partirá
tantas ilhas e sonhos não existem.

Poema de FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES - Livro ANDAMENTO

sábado, 19 de junho de 2010

Carta de SARAMAGO a FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES


Extracto de uma carta de SARAMAGO a FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
Lisboa, 7 de Outubro de 1986

quinta-feira, 17 de junho de 2010

FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES

FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES - SER E LER MIGUEL TORGA

quarta-feira, 16 de junho de 2010

JOÃO DE DEUS RODRIGUES

JOÃO DE DEUS RODRIGUES - HISTÓRIAS MARAVILHOSAS DA TERRA QUENTE
Capa - ESPIGA PINTO

terça-feira, 15 de junho de 2010

CARLOS AURÉLIO

CARLOS AURÉLIO - CONSIDERANDO OS FILÓSOFOS
Capa - ESPIGA PINTO

segunda-feira, 14 de junho de 2010

ANTÓNIO CABRAL

ANTÓNIO CABRAL - O RIO QUE PERDEU AS MARGENS
Capa - ESPIGA PINTO

sábado, 12 de junho de 2010

MANUELA MORAIS

MANUELA MORAIS - TRÊS RIOS ABRAÇAM O CORAÇÃO
Capa - ESPIGA PINTO

quinta-feira, 10 de junho de 2010

FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES

ficou um poema no teu rosto a
mão cheia de amoras amêndoas e
morangos no teu colo dobrado cinco
pétalas de malmequer no chão cinco
dedos da mão cinco
sílabas do poema inacabado

veste a memória de luz os
nossos corpos nus e na
água nocturna do teu nome dilui o
desejo a cor do lume

ficou um poema no teu rosto que
eu não lerei mais não
voltará a roseira do
teu corpo a dar
rosas iguais

Poema de FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
Livro - JÚBILO DA SEIVA

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Prémio de Poesia FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES

PRÉMIO NACIONAL DE POESIA
FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
2010
ANTÓNIO FORTUNA
(No Prelo)

Prémio de Poesia FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES

PRÉMIO NACIONAL DE POESIA - FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
MIL VOZES EM CONSERTO - JOAQUIM DE BARROS FERREIRA
2009
Capa - ESPIGA PINTO

terça-feira, 8 de junho de 2010

Prémio de Poesia FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES

PRÉMIO NACIONAL DE POESIA - FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
A FOZ DAS PALAVRAS - CLÁUDIO LIMA
2008
Capa - ESPIGA PINTO

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Prémio de Poesia FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES

PRÉMIO NACIONAL DE POESIA - FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
A TENTAÇÃO DE SANTO ANTÃO - ANTÓNIO CABRAL
2007
Capa - ESPIGA PINTO

domingo, 6 de junho de 2010

ANTÓNIO FORTUNA


ANTÓNIO FORTUNA - DA RUA DOS POETAS (Poesia)
Capa - ESPIGA PINTO