O fim do mês de Maio e o dia do Corpo de Deus aproximavam-se. O mesmo era dizer que os preparativos para a festa tinham que ser apressados.
As ruas começavam a ser enfeitadas, a igreja varrida e lavada, os andores eram limpos e restaurados.
O forno da aldeia não arrefecia as cinzas, pois os "pelótos" e o bolo podre tinham que adoçar o estômago e a alma, tanto às pessoas da terra como aos visitantes.
Tive visitas. Os meus pais, assim que uma doença o permitiu, percorreram os quase cento e oitenta quilómetros, bem medidos e sofridos, para me ver e, se calhar, cumprir alguma promessa ao Divino Espírito Santo. (. . . )
FRESCOS DA MEMÓRIA - ANTÓNIO FORTUNA








