LARGO DA MADALENA
Secou na praça o fontenário românico
o silêncio da água fechou a tarde
num aroma de musgo e limo verde.
Apenas se ouve o pânico
de um corvo rouco
poisado na boca aberta
de um santo barroco
do frontão da igreja
escura e deserta.
E o corvo grasna assim seja.
O resto é o ruído da sombra dos muros nus à roda
tece-lhes o tempo o perfil no chão o puro atrito
do eco agudo de um grito
devolvido à nossa boca muda
pelo gosto salgado do granito.
Poema de FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES - Livro ANDAMENTO
quinta-feira, 11 de março de 2010
quarta-feira, 10 de março de 2010
FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
PORCA DE MURÇA
duraremos
a eternidade circular
da sua forma ambígua e
tumular
deusa-mãe do
terror que a fé na pedra copiou
e que o musgo do tempo disfarçou
a nossa condição é o seu rito
criaturas geradas
das suas entranhas geladas
de granito
Poema de FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES - Livro ANDAMENTO
duraremos
a eternidade circular
da sua forma ambígua e
tumular
deusa-mãe do
terror que a fé na pedra copiou
e que o musgo do tempo disfarçou
a nossa condição é o seu rito
criaturas geradas
das suas entranhas geladas
de granito
Poema de FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES - Livro ANDAMENTO
terça-feira, 9 de março de 2010
FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
AMORÍMETRO
E agora encontro na minha a tua mão no
teu pulso passa um rio barcos ancorados
troncos na torrente e
notas de flauta a montante
tomo-te o pulso conto os impulsos da água
entre ramos de salgueiros cabelos verdes
correm os teus olhos pelos meus
palavra a palavra diluídos
estão certos os pés de violeta e os
fios de relva nas margens
tudo esmorece na pele da água
um rio azul no mapa do teu pulso
demoro a tua saliva na minha boca
pára passando o tempo folha verde no vento
ou pássaro fugindo das nossas mãos abrindo-se
agora neste momento.
Poema de FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES - Livro ANDAMENTO
E agora encontro na minha a tua mão no
teu pulso passa um rio barcos ancorados
troncos na torrente e
notas de flauta a montante
tomo-te o pulso conto os impulsos da água
entre ramos de salgueiros cabelos verdes
correm os teus olhos pelos meus
palavra a palavra diluídos
estão certos os pés de violeta e os
fios de relva nas margens
tudo esmorece na pele da água
um rio azul no mapa do teu pulso
demoro a tua saliva na minha boca
pára passando o tempo folha verde no vento
ou pássaro fugindo das nossas mãos abrindo-se
agora neste momento.
Poema de FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES - Livro ANDAMENTO
quarta-feira, 3 de março de 2010
VASCO DA GAMA NAVEGA - DIANA ADAMEK
foi apresentado o livro de DIANA ADAMEK - VASCO DA GAMA NAVEGA.
Ana Paula Fortuna, Representante da Escola Secundária Camilo Castelo Branco,
Tanty Ungureanu e Directora da Editora Tartaruga.
Foto de João Pinto Vieira da Costa
Tanty Ungureanu
o belíssimo texto de Diana Adamek,
VASCO DA GAMA NAVEGA.
Foto de João Pinto Vieira da Costa
Ana Paula Fortuna
com um rigoroso estudo, o livro
VASCO DA GAMA NAVEGA.
Foto de João Pinto Vieira da Costa
Tanty Ungureanu
enviou para a apresentação do seu livro VASCO DA GAMA NAVEGA.
Foto de João Pinto Vieira da Costa
sábado, 27 de fevereiro de 2010
DIANA ADAMEK - VASCO DA GAMA NAVEGA
Momento impregnado de uma alta e intensa emoção.
O acto foi de uma torrencial e densa temperatura sentimental.
ANA PAULA FORTUNA apresentou e descodificou,
com inteligente mestria,
com inteligente mestria,
este sublime e caudaloso texto.
Ana Paula Fortuna, Representante da Escola Secundária
Camilo Castelo Branco (Vila Real), Tanty Ungureanu (Tradutora) e
Directora da Editora Tartaruga.
Fotografia de Paulo Fortuna.
RADU UNGUREANU
RADU UNGUREANU deliciou com a magnífica interpretação
de uma Peça romena de Christian Alexandru Petrescu (Apchemata),
e de uma Peça portuguesa de Cláudio Carneyro (D'Aquém e d'Além Mar).
Fotografia de Paulo Fortuna.
VASCO DA GAMA NAVEGA
cortam o bolo que representa o livro
VASCO DA GAMA NAVEGA.
Fotografia de Paulo Fortuna.
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
DIANA ADAMEK
Título - VASCO DA GAMA NAVEGA
Tradutora - TANTY UNGUREANU
Capa - ESPIGA PINTO
APRESENTAÇÃO de
ANA PAULA FORTUNA e TANTY UNGUREANU
dia 26 de Fevereiro, pelas 21,30 H.
Auditório da Escola Secundária Camilo Castelo Branco - Vila Real
Momento musical com RADU UNGUREANU (Violinista da Orquestra Nacional da Casa da Música)
Momento musical com RADU UNGUREANU (Violinista da Orquestra Nacional da Casa da Música)
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
DIANA ADAMEK
(. . .) À noite o vento atiça-se, mas não traz frescura, antes pelo contrário, a pele torna-se mais pegajosa e mais dolorosa ao toque. De manhã acordarão nervosos, de sentidos já exaltados, uma folha que caísse e as injúrias rebentariam. Logo a palma da mão agitar-se-á e, quando se colar, num estalido soante, à cara do adversário, os freios da revolta já estarão soltos. Estás a bater-me, canalha?, são muitas as sombras na voz que pergunta, as mesmas na voz que se cala, não porque tema o braço do outro, que já lhe torceu a mão, antes porque realmente não sabe, não compreende por que é que lhe bateu.
Ficarão uma semana na terra de Santa Helena, os homens apenas lhe chamam Helena, gostam mais, lembra-lhes as mulheres que tiveram ou que sonharam ter, e muitas dessas perguntas ficaram sem resposta. Porque é que se distribuem bofetões e murros não se sabe muito bem, tanto menos quanto os nativos, que apareceram de madrugada com os braços cheios de bananas e de fios de conchas, parecem ser pacíficos, até contentes de os ver e, nas suas caras, não se lê preocupação, as sombras que passam pelas suas faces são apenas as provocadas pelo sol (. . .).
Livro VASCO DA GAMA NAVEGA - Autora DIANA ADAMEK
Tradução - TANTY UNGUREANU
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
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