segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

JOÃO DE DEUS RODRIGUES


JOÃO DE DEUS RODRIGUES - PASSAGENS E AFECTOS

sábado, 5 de dezembro de 2009

FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES

Do gosto do teu corpo me ficou na boca o
sabor dos frutos por amadurecer
ágeis se dobraram nos dedos os
mil e um segredos
de os colher

do som da tua voz me ficou nos ouvidos uma
breve melodia interrompida pelo
ritmo monótono da vida
imposto ao sobressalto dos sentidos

da imagem do teu rosto me ficou no olhar
a forma perfeita do teu nome
cova na areia onde cabe o mar
inacabado pão da minha fome.

Poema de FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

MANUELA MORAIS


MANUELA MORAIS - TRÊS RIOS ABRAÇAM O CORAÇÃO - Capa de ESPIGA PINTO

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

ROCHA DE SOUSA


ROCHA DE SOUSA - A CULPA DE DEUS

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

MARIANA DE BRITO


MARIANA DE BRITO - ALENTEJO DE LONGE - Capa de ESPIGA PINTO

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

JOÃO PINTO VIEIRA DA COSTA


JOÃO PINTO VIEIRA DA COSTA - FLORA DE BRINCADEIRAS

domingo, 29 de novembro de 2009

FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES

MEMÓRIA DO CORPO

Não há morte na memória do teu corpo

apenas o gesto de mastigar a neve
o cansaço furioso
o bafo cinzento da respiração

gosto do teu corpo
do sal do teu suor
dedos deslizando nos dedos o
gosto da tua saliva

passa o tempo e desfaz-se
derretido na concha da tua boca

mas hoje os teus olhos são barcos ancorados
que não atravessam o rio dos meus versos

e as mãos nas tuas mãos
são só dedos
dispersos.

Poema de FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES

sábado, 28 de novembro de 2009

Américo Lisboa Azevedo


APRESENTAÇÃO DO LIVRO

HOJE - 21 horas
BIBLIOTECA MUNICIPAL - MAIA

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

ANTÓNIO FORTUNA


ANTÓNIO FORTUNA - DA RUA DOS POETAS - Capa de ESPIGA PINTO

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

JOAQUIM DE BARROS FERREIRA


JOAQUIM DE BARROS FERREIRA - JARDINS SUSPENSOS - Capa de ESPIGA PINTO

terça-feira, 24 de novembro de 2009

CLÁUDIO LIMA

CLÁUDIO LIMA - ITINERARIUM

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

ANTÓNIO CABRAL


ANTÓNIO CABRAL - BODAS SELVAGENS

sábado, 21 de novembro de 2009

FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES

PRÉMIO NACIONAL DE POESIA

FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
2007 - ANTÓNIO CABRAL
2008 - CLÁUDIO LIMA
2009 - JOAQUIM DE BARROS FERREIRA
2010 - ANTÓNIO FORTUNA

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES

FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES - na Mesquita de Córdova

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES


FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES - SER E LER MIGUEL TORGA

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES

FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES - MODO DE VIDA

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES

O FIM DAS PALAVRAS

Foi num dia concreto como grãos de trigo que
tu chegaste ao fim das palavras e
partiste
eu era os rochedos em que as ondas vinham desfezer-se
tu o barco que navegava na planície azul

alguém havia um dia de dizer como
dois seres inventam o silêncio e o habitam nesse
preciso lugar onde as palavras nada significam e
é inútil falar de amor ou de amargura

nem adeus nos dissemos de nada valeria
no cais de qualquer vida se desprendem os
sentimentos de seus nomes

anónimos e livres seguimos cada
qual por seu caminho até as próprias pedras
palpitavam de medo e de suspeita

alguém havia um dia de dizer como
dois seres se introduzem na pura solidão
cercados de vazias palavras arbitrárias e do
bater pontual do coração.

Poema de FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Capa de ESPIGA PINTO


ANTÓNIO CABRAL - O RIO QUE PERDEU AS MARGENS - Capa de ESPIGA PINTO

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

ALÍPIO FERREIRA


ALÍPIO FERREIRA - CHIPANGARA

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Américo Lisboa Azevedo

Era desmedido e fortalecedor o amor que sempre me uniu ao meu tio-avô.
Nos seus cansados e magros braços sentia-me deliciosamente aconchegado e credulamente seguro. Era como se soubesse que, na sua meiga e constante presença, perigo algum me ameaçasse.
A sua terna voz, graciosamente enrouquecida por longas décadas de fumo e por mil fados mal embalados, traía-lhe as lágrimas que, muitas vezes, engolira, em sufocos absorvidos e abafados pelos cavernosos e surdos ruídos de outras tantas medonhas noites que o levaram a adoptar o comprido travesseiro como seu mais digno e fiel confidente, logo após uma viuvez madrugadora. Enviuvara antes ainda de ter cotiado os primeiros lençóis nupciais. Uma moléstia ainda sem baptismo e sem catalogação nos anais da ciência vitimara mortalmente a sua extremosa e desvelada esposa e minha tia-avó materna.
Tudo isto aconteceu em vésperas dos meus pais contraírem matrimónio.
- Coitado do tio Zé! Como se deve sentir sozinho naquela casa grande,- observava a minha mãe.
- Sim, por certo que estará a sofrer atrozmente, - aquiescia o meu pai.
(. . .)
AMÉRICO LISBOA AZEVEDO - CONTIGO APRENDO A CAMINHAR - Capa de ESPIGA PINTO

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

ROCHA DE SOUSA

(. . .)
Havia uma funcionária nova, Conceição, que secara aos trinta anos, a boca desdentada, alguns cabelos brancos, a pele amarela, os olhos profundos, a par da maceração sombria que lhe cobria as pálpebras. Servente das serventes, era mal tratada pelo Firmino, que se julgava superior hierárquico dela e encolhia os ombros à fala disciplinadora de Felismina. O Manuel engordara, parecia curvado, mas os olhos pequenos continuavam brilhantes, a suscitar boa disposição. Conseguira arrastar o irmão para a Escola, um homem das arábias, não sei porquê, técnico de formação, fundidor, carpinteiro, electricista, engenheiro de projectores e máquinas afins, belíssimo pedreiro, operário de metais, e assim por diante, conforme o que surgia na acumulação de problemas a precisar de amanho. O falecido Acácio era, com efeito, um autodidacta multifacetado nas competências técnicas, e até artísticas, um caso raro, de bom trato, exemplo extraordinário de certo efeito polivalente projectado pelo emigrante chamado português jeitoso.
BELAS-ARTES E SEGREDOS CONVENTUAIS - ROCHA DE SOUSA