terça-feira, 27 de outubro de 2009
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
sábado, 24 de outubro de 2009
FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
(. . .)
Simplesmente, porque a libertação foi "universal" mas não plural, porque a liberdade não consiste num número infinito de possibilidades mas apenas numa, essa individualização, paradoxalmente, custou-lhe o preço da liberdade e da própria vida. Porque, desde o momento em que partiu, desde o momento em que se auto-afirmou e individualizou, Vicente entrou num destino sem mais opções e alternâncias, sem outro contéudo e sentido que o da liberdade absurda, sem outro desfecho que o da morte soberana. Assim, o corvo, Vicente de nome próprio, por via de regra de todos os dogmas teológicos de todas as religiões (que crucificaram os seus próprios redentores) - terá de morrer afogado. Os sumérios Enkidu e Gilgamesh morreram. Antígona morreu. Sísifo desce e sobe a sua montanha absurdamente.
A não ser que Deus, desencantado por ver-se confrontado na sua soberania por uma criatura que ele próprio não reconhece como autónoma, deixe de tirar prazer desse facto e acabe por admitir que o seu poder, afinal de contas negativo, entrou num beco sem saída. (. . .)
FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES - SER E LER MIGUEL TORGA
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
CLÁUDIO LIMA
com um pouco de sol
animo a estática
estátua
da beleza
com um pouco de pasmo
plasmo o perfil
ágil e equívoco
do poema
com um pouco de mim
modelo um livro
difícil e polémico
- um apócrifo
e lavo as mãos
ganhei o dia
a disciplinar o verde
das searas
com um pouco de serenidade
aspiro a morte
na líquida evidência
dos espelhos
e morro em tronco nu
antes de o anjo chegar
CLÁUDIO LIMA - ITINERARIUM
animo a estática
estátua
da beleza
com um pouco de pasmo
plasmo o perfil
ágil e equívoco
do poema
com um pouco de mim
modelo um livro
difícil e polémico
- um apócrifo
e lavo as mãos
ganhei o dia
a disciplinar o verde
das searas
com um pouco de serenidade
aspiro a morte
na líquida evidência
dos espelhos
e morro em tronco nu
antes de o anjo chegar
CLÁUDIO LIMA - ITINERARIUM
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
CARLOS AURÉLIO
SAUDADE
A alma de Portugal é feita de Saudade e, a Saudade, alimenta-se de uma luz imorredoira e infinita de algo que já existiu e que não sabemos definir com exactidão. Sentimos uma Presença de ordem metafísica que nos acompanha há oito séculos ou, no plano individual, a nostalgia da infância que mora fundo em cada um de nós.
Nenhuma revolução política, nenhum acréscimo de desenvolvimento económico, resolve o sentimento de ausência e de exílio que os portugueses experimentam no seu próprio país. Falta sempre qualquer coisa de decisivo. Permanecemos vivos porque a Saudade não morre.
CONSIDERANDO OS FILÓSOFOS - CARLOS AURÉLIO
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
terça-feira, 13 de outubro de 2009
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
sábado, 10 de outubro de 2009
FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
Hoje é o quarto dia de viagem. Está um belo dia azul e é domingo. O sol faz brilhar os canos brancos das corrediças deste navio que transporta para a guerra mais de mil e quinhentos homens. Mas não se fala de guerra. No bar, ao balcão e nos sofás, pequenos grupos de jovens oficiais milicianos conversam e bebem. Centenas de rapazes, mobilizados de todos os regimentos, podem agora reencontrar-se após a separação que sucedeu aos primeiros tempos de incorporação.
- Um poker para o Martini?, disse o Vasco.
Jogamos sem vontade.
- Dois Martinis, disse eu para o empregado do bar.
- É demasiado cedo para beber, disse o Vasco.
Ficámos ambos de rosto voltado para o rasto de espuma que o navio deixava através das águas e eu pensei como seria agradável ir lá fora respirar o ar puro.
(. . .)
ASSINALADOS - FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
ficou um poema no teu rosto a
mão cheia de amoras amêndoas e
morangos no teu colo dobrado cinco
pétalas de malmequer no chão cinco
dedos da mão cinco
sílabas do poema inacabado
veste a memória de luz os
nossos corpos nus e na
água nocturna do teu nome dilui o
desejo a cor do lume
ficou um poema no teu rosto que
eu não lerei mais não
voltará a roseira do
teu corpo a dar
rosas iguais
FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES - ANTOLOGIA POÉTICA
mão cheia de amoras amêndoas e
morangos no teu colo dobrado cinco
pétalas de malmequer no chão cinco
dedos da mão cinco
sílabas do poema inacabado
veste a memória de luz os
nossos corpos nus e na
água nocturna do teu nome dilui o
desejo a cor do lume
ficou um poema no teu rosto que
eu não lerei mais não
voltará a roseira do
teu corpo a dar
rosas iguais
FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES - ANTOLOGIA POÉTICA
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
PRÉMIO NACIONAL DE POESIA - FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
2007 - ANTÓNIO CABRAL
2008 - CLÁUDIO LIMA
2009 - JOAQUIM DE BARROS FERREIRA
2010 - ANTÓNIO FORTUNA
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
Sidónia tinha, portanto, atrás de si um passado sepultado num profundo esquecimento legendário. E a arca dessa herança mítica submersa, que da casa do Prior passara para o convento, era guardada como o norte e único vínculo imaginável da sua solidão.
Sidónia é hoje um burgo antigo coroado de moinhos de vento e de terraços caiados, que todos os dias amanhece enterrado no nevoeiro. Os proprietários das imensas faldas circundantes, vestidas de vinhedos e olivais, vivem na cidade; os caseiros e os desempregados, os velhos e as mulheres doentes entregam-se ao tempo, pendurados nas varandas, de pensamento em pensamento, a jogar e a beber aguardente. Sidónia está situada no fundo de um vale, voltada a nascente, sob um promontório empinado de fraguedos despedaçados.
(. . .)
FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES - ASSINALADOS
sábado, 26 de setembro de 2009
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
sábado, 19 de setembro de 2009
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
terça-feira, 15 de setembro de 2009
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