
(...) Alguém, cá de baixo, que andasse ao meu lado e me acompanhasse angustiadamente na procura de um recinto de fogo, em que todos temos os olhos quando sorrimos depois de termos compreendido que alguém nos atraiçoou.
Mas é escusado. A negrura que estiver para vir há-de vir toda. Todos aqueles frades felizes são o cenário da minha comédia. E é por isto, por ser sozinho que tenho de enfrentar a culpa, a dor - que eu nem chorar consigo. A vontade de chorar represente uma certa superação das funduras onde estamos, acompanha uma certa comunhão de dor, um certo vislumbre de sentido para a solidão. Resta-me continuar a esvaziar as mãos, esquecer, renunciar. Porei os meus passos no movediço que os pés recusam e entrarei no vago e no acaso, perdido mas tenso e de ferro.(...)
Mas é escusado. A negrura que estiver para vir há-de vir toda. Todos aqueles frades felizes são o cenário da minha comédia. E é por isto, por ser sozinho que tenho de enfrentar a culpa, a dor - que eu nem chorar consigo. A vontade de chorar represente uma certa superação das funduras onde estamos, acompanha uma certa comunhão de dor, um certo vislumbre de sentido para a solidão. Resta-me continuar a esvaziar as mãos, esquecer, renunciar. Porei os meus passos no movediço que os pés recusam e entrarei no vago e no acaso, perdido mas tenso e de ferro.(...)
Assinalados - FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES
À sua memória está instituído um Prémio de Poesia






